11.4.08

Inutilidade procriada

por Marcos Cuba

Meu Deus do céu! Só pelo amor do Divino!

É assim mesmo minha gente, não estão lendo nada errado, está corretíssimo o que vocês leram. Estou espantado com a Rede Globo de Televisão. Quando comecei a cursar jornalismo, tinha a idéia de um dia trabalhar nesta emissora renomada, porém com o passar do tempo estou ficando desanimado com tal canal.

Cadê a qualidade que tanto se fala, inclusive numa propaganda que está circulando? Onde está o tal “Q” de qualidade? Nota dez para alguns quadros de humor que foram criados, para o novo formato do Fantástico, que agora pode ser chamado de “Fantástico”, entre alguns outros fatores, porém é necessário pensar antes de ligar a televisão e sintonizar a Rede Globo.

O BBB8, para mim, seria algo que começou, teve o seu meio e fim, só que para o meu espanto algumas “pragas” deste programa, que nada acrescentam na vida de nós brasileiros, estão perpetuando.

Admiro alguns que saíram deste reality e foram estudar para serem atrizes, caso de Grazzi Massafera, entre outras, mas agora ter um quadro num programa com três ex-BBB para aumentar o Ibope, já foi longe de mais.

Fiquei pasmo ao acessar a internet e ver que a idiotice de “Rádio Pinel”, criada por alguns “idiotas”, pois não possuem e nem mostraram conteúdo intelectual no programa, virou quadro do matinal Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga.

Minha gente, onde vamos parar? Agora parece que os três patetas se deram a jornalistas, porque estão fazendo entrevistas com artistas. Francamente. Estudamos quatro anos, fazemos o bendito TCC (trabalho de conclusão de curso) e agora ficar sabendo de uma notícia dessas, é para ficar chocado. A Rede Globo, ou melhor, a sociedade, já pagou muito para estes rapazes que não tem nada para oferecer. Isto mostra a procriação das inutilidades.

10.4.08

O idoso em diferentes contextos culturais

Em algumas culturas eles são respeitados e chamados de sábios. Em outras, conseguem conquistar um acanhado direito de continuar a trabalhar. Mas, ainda em muitos contextos, são considerados inativos e desocupados.

por Anne Rodriguez
Correspondente Internacional
Santiago de Querétaro, México

Uma cena rara - na minha cultura - despertou minha atenção por duas vezes nesta semana aqui no México: idosos trabalhando no comércio. Sim, idosos. Deviam ter mais de 60 anos. Meu primeiro sentimento foi de pena, em ver aqueles “velhinhos” ainda trabalhando, em vez de estarem em casa fazendo “nada”. E pensei: “eles deveriam estar descansando, pois já trabalharam tanto durante a vida…” Mas depois, refleti um pouco mais diante daquela cena, e me lembrei o quanto essa população tem sofrido com pessoas que alimentam pensamentos parecidos com o que tive no primeiro momento.

Será que o idoso deve realmente se limitar a ficar em casa? Será que quando se completa 60 anos, dali para frente a única expectativa é a de esperar a morte chegar? Será que ao conquistar a aposentadoria, o idoso também assina o atestado de que já não serve mais para trabalhar formalmente outra vez? Será que a partir dos 60 anos, as únicas ocupações disponíveis são as de avô caduco, pai doente ou de velho chato?

Lembrei-me do meu avô paterno. O “vô João”, hoje com 73 anos, mantém a mesma vontade de viver de 50 anos atrás. Porém, diante da sociedade brasileira moderna, ele já não serve mais para muita coisa. E sem perspectivas de continuar exercendo diversas atividades diárias, ele se limita a fica em casa, tocar sua gaita de vez em quando, e contar as infinitas histórias do passado nos almoços de domingo em família. Uma condição que já rendeu ao meu avô um início de depressão.

No Brasil, os idosos formam 8,6% da população total do país, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base no Censo 2000. Aqui, cerca de 5% dos mexicanos são de pessoas com mais de 60 anos, de acordo com os últimos dados do CONAPO (sigla em espanhol para Conselho Nacional da População). Para a ONU (Organização das Nações Unidas), a estimativa é de que em 2050 o número de idosos em todo mundo alcance 2 bilhões, ou seja, 22% da população mundial.

Diversos fatores influenciaram e continuarão a determinar o aumento do número de idosos, como por exemplo, os avanços da medicina. No entanto, o que não tem acompanhado esses números é a atenção da sociedade para esta parcela da população.

Não possuo dados oficiais que comprovem que o México trata melhor os seus idosos do que o Brasil, ao adotar medidas como contratar idosos para trabalhar no comércio. Porém, constatar que isso é possível por aqui, já me fez admirar um pouco mais essa nação. Os cargos que eles ocupam são de empacotador de supermercado e loja. Uma função que no Brasil é ocupada, na maior parte, por jovens. E assim como os jovens, os idosos que encontrei transmitem a mesma vontade de viver.

9.4.08

Um sábado de Rock'n Roll

por Fábio Santos

No último sábado, dia 5 de abril, compareci ao Estádio do Palestra Itália para assistir ao show do lendário Ozzy Osbourne, um ícone do Heavy Metal e do puro e simples Rock'n Roll.

Para falar a verdade, decidi ir ao show apenas no dia, pois as últimas notícias do cantor davam conta de que a carreira dele estava quase no fim, por causa dos prolongados anos de uso de drogas. No entanto, ao ver a repercussão do show no Rio de Janeiro, dia 03, fiquei instigado a ver como o antigo líder do Black Sabbath se comportaria no palco e, de fato, não me arrependi da escolha.

Ao chegar ao Paque Antártica ainda encontrei ingressos. Consegui um bom lugar na pista, no meio dos fãs. Naquela noite, além da apresentação do Ozzy Osboune, o público pode presenciar os shows das bandas Black Label Society e Korn. As duas bandas conseguiram levantar os presentes, e ao final das apresentações, um clima de ansiedade caiu sobre o estádio que, durante longos minutos, esperou apreensivo pela entrada da estrela da noite.

Antes de subir ao palco, Ozzy provocou o público dos bastidores ao gritar no microfone a melodia "Olê Olê Olê", que foi respondida prontamente pela platéia "Ozzy!, Ozzy!". Foi neste clima que o show começou, com um vídeo hilário satirizando algumas séries e filmes como "Lost", "A família Soprano" e "A Rainha", onde o músico incorporava alguns dos papéis principais.

Após a brincadeira, chegou a hora do show. Assim, o cantor britânico entrou no palco por volta das 22:00 e incendiou o público com "I don't wanna stop". A apresentação de 1 hora e 40 minutos foi baseada em quatro momentos de sua carreira: os discos "Blizzard of Ozz" (1980), "Bark at the moon" (1983), "No more tears" (1991), o mais recente "Black rain" (2007), além de clássicos do Black Sabbath.

Apesar de seus 59 anos de idade, o cantor mostrou vigor no palco e conseguiu dar conta do recado. Interagindo com a o público o tempo todo, ele fez questão de distribuir vários baldes d'água para os fãs que conseguiram ficar mais próximos do roqueiro.
O Show teve tudo o que podemos esperar de uma bela noite de Heavy Metal. Público alucinado, bandas tocando sem parar, guitarristas empolgados em solos e uma dose de insanidade do guitarrista Zakk Wylde, que cortou a mão durante o último show e continuou a tocar até o final, tingindo sua guitarra de vermelho, mas sem deixar o som parar.

Após clássicos como "No more tears", "Mr Crowley", "Mama, I'm coming home" e "Iron Man", Ozzy encerrou a noite com o clássico do Black Sabbath, "Paranoid". Quando o relógio batia meia noite, o cantor deixou o palco, apesar do público implorar por mais músicas. Ao final da apresentação, senti minha alma purificada e algumas dores no corpo. Afinal, não é sempre que se vai a um show, com quase cinco horas de puro rock. Fico com a sensação de dever cumprido, pois a volta do cantor para nova apresentação é uma incógnita, pois nunca se sabe o que ele poderá aprontar nos próximos anos e se sua saúde irá suportar novas turnês. O que seria uma pena para os fãs do rock clássico, que estão vendo seus ídolos sumindo aos poucos e sendo substituídos por astros artificiais criados pela mídia.

8.4.08

Caso Isabella Nardoni. Caso Isabella Nardoni? Caso Isabella Nardoni

por Ton Torres

Já temos mais um caso, mais um motivo para dar plantão por incessantes 24 horas sem sequer possuirmos informações novas. Já temos um novo Judas, um novo personagem pitoresco para massacrarmos. Quem massacra? A mídia massacra. Os brasileiros estúpidos massacram. Caso Isabella Nardoni. Só posso dizer uma coisa: isso não tá certo.

Eu sei que você esperava mais de mim. Eu sei que sou um palpiteiro bobalhão. Mas não agüento mais ouvir “caso Isabella Nardoni”. É angustiante ver como esse país apodrece no vandalismo. É aborrecedor ver como esse país se estatela em violência e caos. Não vou contar o que aconteceu no caso Isabella Nardoni. Afinal, aposto que a mídia democrática e direitista já fez o seu papel: mostrou-lhe os fatos baseados em argumentos concretos.

Não, a mídia democrática e direitista não fez isso. E pior, não fez isso mais uma vez. A imprensa brasileira está possivelmente caminhando mais uma vez pro lado errado. Sim, entre escolher o certo e escolher o errado, a imprensa brasileira sempre escolhe o errado. Julgamos como culpados o pai e a madrasta de Isabella. Não pensamos nos outros dois filhos. Não pensamos em sua família. Não pensamos em nada.

O mais fantasmagoricamente grotesco de tudo isso são os estupidamente folclóricos brasileiros. Sim, os mesmo brasileiros onde 50% da população não sabem identificar o próprio país no mapa. Sim, os mesmo brasileiros que formam a incrível massa de boçais que querem uma punição a pauladas e com muito sangue. São os indivíduos que vão para porta da delegacia gritar palavras de ordem do tipo “assassinos!”, ou então “vocês devem morrer!”.

Nossa boa e democrática imprensa direitista se pauta nesses indivíduos. É neles que sua programação é focada. É nesses boçais com delinquência acadêmica que boa parte dos programas é direcionada. A imprensa nacional caminha possivelmente para uma segunda versão do caso Escola Base, aquele em que quatro sócios foram acusados erroneamente por cometerem abusos sexuais nos alunos. Quem acusou? A polícia civil, a mesma que apura o caso Isabella Nardoni. Quem fez o julgamento? A imprensa, a mesma que apura freneticamente o caso Isabella Nardoni. Quem executou? A sociedade, a mesma sociedade primitiva e retrógada que pede a morte do pai e da madrasta de Isabella Nardoni.

Para quem ainda não se contenta com fatos meramente nacionais, podemos citar o caso Madeleine McCann, aquela menina britânica que desapareceu em Portugal no ano passado. Os pais de Isabella Nardoni podem cair na mesma cilada em que caíram os pais de Madeleine McCann. Os pais da menina britânica chegaram a serem acusados de envolvimento com o desaparecimento da filha. Recentemente, em uma atitude que possivelmente nunca veremos no Brasil, dois jornais ingleses foram obrigados a indenisar financeiramente o casal, e ainda tiveram que estampar em suas primeiras páginas o que seria em tradução livre algo como “nós pedimos desculpas”.

Quem sabe daqui alguns anos vamos estudar o caso Isabella Nardoni como “o que não deve ser feito no jornalismo parte dois”. Caso Isabella Nardoni. Caso Isabella Nardoni? Caso Isabella Nardoni. Se forem culpados, os pais de Isabella Nardoni certamente vão pagar. Se inocentes, não muda muita coisa, pois eles já estão pagando.

7.4.08

Dia do Jornalista

por Hugo Luz

Fui acordado no último sábado por uma ligação de uma colega de profissão, repórter de uma televisão regional. “Hugo, desculpe estar ligando cedo, mas preciso te perguntar uma coisa”. Não era tão cedo assim, mas ela estava na redação desde as sete da manhã. Eu estava dormindo ainda mesmo, disse a ela, mas meu celular ligado. Nunca desligo. Ossos do ofício, diriam....

Mais tarde estou sentado à frente do computador, escrevendo sobre os fatos surpreendentes que ocorreram naquele sábado. Uma chuva fina e fria caindo lá fora. Toca meu telefone mais uma vez. Desta vez uma colega de um jornal impresso. Seis da tarde de um sábado gélido. E mais um jornalista trabalhando.

As coisas não param de acontecer. Ninguém escolhe hora para morrer, para nascer, para um prédio cair. E a sociedade moderna tem como algumas de suas principais marcas a velocidade, a rapidez, a agilidade de transmissão de informação. Você já pensou que para assistir e se emocionar com as cenas trágicas da colisão do avião da TAM no aeroporto de Congonhas, ano passado, vários jornalistas foram mobilizados e estavam ali, suportando frio, chuva, tentando convencer os policiais e bombeiros de que também estavam fazendo seu trabalho? Tudo isso para você poder acompanhar aquilo em tempo real.

Lembro-me de Rubem Alves que comparava sua função, de repórter de jornal impresso, a de um padeiro. Dizia ele que o padeiro entregava o pão quentinho cedo na porta de sua casa e, para não atrapalhar as pessoas, tocava a campainha e gritava: “Não é ninguém, é o padeiro”.

Venho aqui hoje, dia 07 de abril, Dia do Jornalista, parabenizar todos estes profissionais, porque, acima de tudo, acho que são merecedores. Trabalham duro, alguns até dão suas vidas, para que a notícia chegue a todos os cantos do mundo. Trabalham muito e muitas vezes também, “não são ninguém”. Um jornalista está 100% de seu tempo trabalhando. Sabemos que a vida não é fácil, mas saibamos que nossa profissão, mesmo que nem sempre reconhecida, é de grande importância e tenhamos força para continuar, mesmo quando a vontade é de deixar para lá.

Parabéns a todos e força!

6.4.08

De Cat Power a Noel Rosa

por Beatriz Ramos

Em toda minha vida, uma coisa que sempre quis aprender foi bailar. Bailar em um palco belamente e incessantemente. Dançando sem parar, tango, salsa ou lambada – a dança proibida. Por isso, depois de anos e anos adiando, resolvi realizar meu sonho de infância: entrar para aula de Dança de Salão.

Como de costume, tudo bem com vocês? Comigo não muito, mas a vida é curta e o sol nasce amanhã as seis, então vamos ao que interessa. Primeiro dia de aula. Não tem homem no curso, são todas meninas, mulheres, senhoras idosas. No primeiro instante me senti uma extraterrestre por não fazer parte do grupinho. Sempre quis fazer parte de algum grupinho, o das meninas mais bonitas, ou o das meninas com o cabelo bonito e longo, ou até o das meninas bonitas burras. Mas a vida é injusta e não tive essa “oportunidade”, então me recolhi ao grupinho dos amigos estranhos, feios, mas que pensam alguma coisa.

Voltando a dança, me senti um ET. Primeiro, todas as moçoilas foram de salta alto, saia rodada, aquela saia que com um simples giro revela tudo. Eu fui de tênis e calça jeans, uma jeca. Mas era o primeiro dia, o que podia acontecer de errado? Tudo. Descobri que é difícil dançar com gente alta, salvo no caso essa pessoa alta for um homem, aí não existe problema algum. Mas como não sou homem, não dancei com ninguém. Moças gostam de ser conduzidas e eu não sou homem, ainda não sei dançar, consequentemente, não sei conduzir uma dama.

Por fim, acabei dançando com a professora, a Iraci, uma jovem senhora de cinqüenta e poucos anos, com postura bonita, anda na ponta dos dedos e usa um coque com uma flor vermelha no topo da cabeça. É muito bonita, espero ser assim quando envelhecer. O mais legal da dança de salão são as músicas, eu saio de casa ouvindo Korn, System of a down ou, às vezes, nos dias de depressão, Cat Power, Patrick Watson, coisas do tipo. Então, chego a um ambiente desconhecido, à meia luz, cheio de mulher e escuto Adoniran Barbosa, Noel Rosa, Francisco Alves e Demônios da Garoa. Poderia reclamar e quebrar todos os Cds da Tia Iraci, mas não posso, por que é tudo muito interessante. Mesmo dançando sozinha, aquelas músicas dão o clima de dança de salão.

Semana que vem começo a freqüentar a CAAP (Centro de Apoio ao Aposentado). Tudo bem, eu tenho um fraco por jovens homens de setenta e oitenta anos, mas o meu intuito nesse lugar não é o de paquerar, que fique bem claro, mas sim o de aprender a dançar com homens experientes. A fama desse Centro, em Cruzeiro, cidade abandonada em que vivo, é grande. Lá eu poderei dançar tango, salsa e, exclusivamente, lambada – a dança proibida. Para quem acha que essa coisa de dança de salão é bobeira ou moda de velho, confira o filme nacional “Chega de Saudade”. Na minha cidade maravilhosa a estréia está prevista para o ano que vem, por isso vou continuar dançando o “Tchá, Tchá, Tchá”, até o filme começar. Quem sabe até lá não serei um pé de valsa, todos vão querer dançar comigo e serei uma sensação na lambada – a dança proibida. Boa noite para vocês também.

2.4.08

O que vale é a competência ou ter um bom dedo para nos apontar?

por Marcos Cuba

Parece incrível, mas o canal SBT pelo jeito não respeita os telespectadores. A cada dia que ligamos a TV e colocamos nesta sintonia, podemos ver algo novo. Os horários não são fixos, então como que o público poderá ser fidedigno a uma programação que é similar ao milho de pipoca estourando na panela?

A exemplo disto temos o programa Aqui Agora, relançado com novos apresentadores, porém é como aquele antigo ditado, só mudou o vestido, porque a noiva continua a mesma.

Não tem o Gil Gomes gesticulando as mãos, porém tinha o Luiz Bacci impostando uma voz que parecia não ser dele, soava estranho às nossas telas, agora o menino de terno não está mais apresentando o programa. Sei lá o que aconteceu com ele e com a Joyce Ribeiro, um talento sem cor, porém talvez o preconceito tenha imperado na TV de Silvio Santos, ela também sumiu.

Quem liga a TV e põe no SBT vê os apresentadores César Filho, Analice Nicolau e Christina Rocha apresentando o Aqui Agora, os outros “levaram um chute nas nádegas”.

O garotinho arrumadinho, e a única que era natural entre todos, saíram e o público que gostava deles? Como é que fica? Ou melhor, não fica.

Pode se fazer de tudo, o importante é dar um jeito de reinventar algo, com uma fórmula nova, a regra que está sendo utilizada é a mesma do antigo Aqui Agora. Onde está a competência desses profissionais?

Existem muitas interrogações no SBT e na cabeça de quem assiste o canal. Temos que ficar "correndo" atrás da programação, o que devia ser o contrário.

Por outro lado há emissoras que perceberam que o compromisso com o telespectador e que criar fórmulas é a grande saída, melhor dizendo, é o caminho para o sucesso. É o caso da Record, que se desenvolveu de tal forma e hoje em dia tem uma audiência de dar inveja em muitas.

Fazendo estas comparações penso nas famosas bolinhas vermelhas que um professor falava, devemos ser competentes para sermos apontados e fazer sucesso. Mas embora a Record esteja sendo bastante assistida dizer que é líder em audiência gera processo. O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) notificou a TV Record para responder à acusação da TV Globo de ter publicado propaganda enganosa em jornais na semana passada.

O mercado de hoje exige profissionais competentes e é preciso termos contatos, portanto, faça bons contatos desde a faculdade, afinal é neste ambiente que uns conhecem os outros, logicamente se neste “mundo” você for uma pessoa que pouco produz e não apresenta idéias inovadoras infelizmente ficará na fila dos desempregados, ou depois de ter um bom dedo para te apontar pode ser que leve um “pé no traseiro”.

Fontes: coluna Mônica Bergamo, Folha de quarta-feira (2).
Coluna Outro Canal de Daniel Castro, Folha de quarta-feira (2).

Comentário

por Filipe Chicarino
Participação Especial

Homem extraordinário pelos feitos guerreiros, valor ou magnanimidade. Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, esse é o verdadeiro significado da palavra herói.

Bem, já descobrimos o que vem a ser herói, mas o que dizer do apresentador do reality show Big Brother Brasil o renomado jornalista Pedro Bial, que saúda todos os dias os participantes do programa em todas as edições, com o chavão mais que maçante, “E agora vamos falar com os nossos heróis”.

Bial, com certeza sabe o verdadeiro significado do termo herói, afinal ele foi correspondente internacional da rede globo por muitos anos e dentre os fatos marcantes que cobriu durante a vida de repórter, está à guerra do golfo em 91. Então, ele sabe que herói, foram os civis inocentes que conseguiram bravamente, sobreviver aos bombardeios americanos, que visto pela TV, mais parecia um jogo de vídeo-game.

Esta semana, chegou ao fim mais uma edição do BBB, a casa mais vigiada do Brasil. Ué! Mas a casa mais vigiada do país não deveria ser o Palácio do Planalto? Onde deveríamos ficar dando uma espiadinha e fiscalizar nossos representantes que venceram a prova do líder com nossos votos em eleições diretas.

E o colar do anjo da semana, do mês, do ano, da década, do século vai para nós brasileiros, que sempre imunizamos dos paredões os mensaleiros, corruptos, doleiros, lobistas entre outros.

Na ultima edição do BBB, Gisele foi recordista de paredões, seis no total, venceu todos e chegou a final, mas foi derrotada por Rafinha. Não concordo que ela seja recordista em paredões, Paulo Maluf, por exemplo, foi a infinitos paredões e venceu todos, ele é um imunizado vitalício.

Nossa! Quanto dinheiro ganhou o Rafinha né! Coitado, ele merecia mesmo, rapaz bonzinho, simples, simpático e pobre.

Vamos continuar ligando para o programa e ajudar nossos brothers a permanecer ganhando carros, prêmios e fama. E também vamos colaborar com a emissora Plin-Plin, que em cada edição do BBB fatura em média, cento e trinta milhões de reais, enquanto nós, que trabalhamos arduamente todos os dias e no período da noite, ficamos confinados em casa assistindo ao programa, faturamos quatrocentos e doze estalecas por mês e ainda temos muitas vezes que atender o big fone, pois o crediário venceu e não há mais estalecas para pagar.

Já ia me esquecendo, pergunte para o Bial se ele conhece a ex candidata a presidência da Colômbia, Ingrid Bitencourt, que há seis anos é refém das Farcs, Força Revolucionaria Colombiana. Ela sim, Pedro Bial, é uma heroína e têm direito a um milhão de motivos a ser denominada assim.

1.4.08

A volto do porco

Fábio Santos

Olá leitores do Blog do Seu Brasil. Pela primeira vez publicarei um texto sobre um tema que tenho total identificação: futebol. Não que eu seja um excelente jogador, pelo contrário, sou um zero a esquerda com a bola nos pés, porém, sou apaixonado pelo esporte e já atuei por um bom tempo como jornalista esportivo.

Apesar de torcer para o São Paulo Futebol Clube, hoje terei que falar sobre um dos principais rivais do time do Morumbi e que atravessa um ótimo momento, após muitos anos de amargura. O Palmeiras, time tradicionalíssimo da capital paulista e um dos maiores ganhadores de títulos no Brasil, está de volta ao cenário dos principais candidatos a ganhar qualquer título que venha a disputar.

A recente história do time do Parque Antárctica começa e termina com um personagem em comum, responsável por dois momentos importantíssimos do alvi-verde. Wanderley Luxemburgo, atual técnico do Palmeiras, foi o técnico do time também no início da década de 90, quando o Palmeiras mostrou um dos principais esquadrões de sua história, conquistando um bi-campeonato brasileiro em 1993 e 1994.

Após o grande sucesso da era Parmalat, coroada com o título da Taça Libertadores, em 1999, o Palmeiras entrou em declínio. No mesmo ano de 99 o time perdeu o título mundial de clubes no Japão e, a partir de então, enfrentou dois golpes: o final da parceria com a Parmalat e a queda para segunda-divisão do Campeonato Brasileiro, em 2002.

A má administração da antiga diretoria, presidida por Mustafá Contursi, fez com que os torcedores sentissem vergonha do Palmeiras e chorassem o descaso dos dirigentes que a cada dia afundavam mais o time de Parque Antárctica. Jogadores foram embora, o time se desmanchou e apenas o ídolo Marcos sobreviveu durante o período de vacas magras.

Em 2003, o Palmeiras conquistou o título da Série-B e voltou por cima para disputar os campeonatos regionais, nacionais e continentais. Após as eleições e a troca da diretoria, o time melhorou e o torcedor viu a chama do orgulho pelo time reacender.

Após campanhas apenas regulares, ao final de 2007, o Palmeiras deu a cartada que pode ser responsável pelo surgimento de mais um time "papa-títulos" aqui no Brasil. Com uma nova parceria, o clube passou a investir em seu estádio e na contratação de reforços.

O primeiro nome a chegar foi o do ex-treinador Wanderley Luxemburgo, que estava no Santos. A chegada de um ídolo, porém, culminou com a saída de outro: Edmundo, que não tem boas relações com o novo treinador.

Agora, o Palmeiras passou a montar uma equipe competitiva e, sob a tutela do estrategista Luxemburgo, o time foi ganhando forma logo nos primeiros meses. Agora, ao final da primeira fase do Campeonato Paulista, o que vemos é um Palmeiras forte, bem armado e com o apoio absoluto da torcida.

Tenho que confessar que o Palestra Itália passou a frente do meu São Paulo e vai dar muito trabalho aos demais times do Brasil. Para quem acompanha o futebol sabe que o time que tem um jovens revelações como Henrique e Daivid, um ídolo como Marcos, um furacão chileno chamado Valdívia e no banco um estrategista do quilate de Wanderley Luxemburgo tem tudo para conquistar os principais objetivos da temporada.

Acho bonita a festa que a torcida anda fazendo durante os jogos e a volta da paixão pelo futebol de um dos mais tradicionais clubes do Brasil. Que o exemplo de superação do Palmeiras sirva de exemplo para o seu arqui-rival Corínthians, que, agora na série B, precisa da mesma inspiração para sair da sarjeta e voltar a figurar na elite do futebol brasileiro.

Pois é, o porco voltou e promete dar muito trabalho a partir de agora.

31.3.08

Suzano é a cidade campeã nos Jogos Regionais do Idoso de Ubatuba

Agência SR Prado Comunicação

A cidade de Suzano foi a campeã do XII Jogos Regionais dos Idosos, que terminou nesse domingo, 30, em Ubatuba, Litoral Norte. A competição, que contou com a participação de 52 cidades, teve como segunda colocada a cidade de São José dos Campos. Participaram do JORI cerca de 3000 atletas da terceira idade que disputaram em 13 modalidades diferentes.

A Secretaria de Esportes e Lazer de Ubatuba realizou mudanças para um atendimento personalizado e uma melhor acomodação dos competidores. Foram instalados pisos anti-derrapantes nos banheiros, além de corrimões e vestiários individuais, pois todos os atletas possuem idade superior a 60 anos.

O técnico da delegação de Suzano, Ronaldo Rodriguez, disse estar surpreso com a vitória e ressaltou que além da prática do esporte, os idosos tiveram grande integração e uma convivência saudável durante os dias de jogos.

Com o troféu de vice-campeã na bagagem, os atletas da delegação de São José dos Campos "retornam com ainda mais entusiasmo e vontade de continuar os treinamentos e competições", afirmou Rosana Domiciniano, chefe da delegação da cidade. “Nós viemos com a delegação completa e nossos atletas nos surpreenderam, tivemos ótimos resultados e estamos muito satisfeitos”, concluiu.

O Secretário de Esportes e Lazer de Ubatuba, Bittencourt Junior, fez um balanço positivo do JORI e acredita que os objetivos de integração e o convívio social entre os participantes foram atingidos. “Ubatuba tem o foco no esporte, na questão social da inclusão do indivíduo, e o mais importante para nós é formar cidadãos”, ressaltou Bittencourt.

Políticos de direita são os donos da mídia

por Janaina Cortez

Os políticos dos partidos conservadores de direita e de centro, DEM, PSDB e PMDB são os "donos da mídia" nacional. É o que conclui o Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom). Ao total, 271 políticos são sócios, proprietários ou diretores de emissoras de rádio e TV. Contrariando a legislação, a maioria deles é prefeito, seguidos dos deputados estaduais. Dos políticos-proprietários de meios de comunicação, 147 são prefeitos (54,24%), 48 (17,71%) são deputados federais; 20 (7,38%) são senadores; 55 (20,3%) são deputados estaduais e um é governador.

Esses números, porém, correspondem apenas aos políticos que possuem vínculo direto e oficial com os meios – não estão contabilizadas as relações informais e indiretas (por meio de parentes e laranjas), que caracterizam boa parte das ligações entre os políticos e os meios de comunicação do país. "Salta aos olhos a quantidade de prefeitos donos de veículos de comunicação. Demonstra a conveniência do Executivo em usar esses meios para manter uma relação direta com seu eleitorado", destaca James Görgen, pesquisador do Epcom.

Entre as mídias mais apreciadas pelos prefeitos, conforme a pesquisa, destacam-se o rádio OM (espaço onde acontecem os debates públicos) e as rádios comunitárias (que permitem a proximidade com a comunidade, a troca diária com o eleitorado, seja por meio da administração da rádio, seja pelo controle da programação). ''Assim, eles garantem suas bases eleitorais'', avalia Görgen. Já os senadores e deputados aparecem como proprietários de mídias com maior cobertura, como as TVs e FMs. "Em ano de eleições, é difícil imaginar que esses políticos deixem de usar seus próprios meios de comunicação para tirar vantagem logo de saída na corrida eleitoral", analisa o pesquisador, dando como exemplo os prefeitos-proprietários, que este ano podem usufruir de temporada maior que a regulamentar da campanha para fazer sua exposição positiva. "Isso dá a eles uma vantagem enorme e representa um risco à democracia", conclui.

Em relação às regiões, relativizando as proporções de cada uma e a densidade de municípios, a pesquisa confirma a prática do chamado "coronelismo eletrônico" concentrado no nordeste brasileiro, onde prevalecem políticos controlando meios de comunicação. Quanto aos partidos, esses políticos surgem assim: 58 pertencem ao DEM, 48 ao PMDB, 43 ao PSDB, 23 são do PP, 16 do PTB, 16 do PSB, 14 do PPS, 13 do PDT, 12 do PL e 10 do PT. Os números apresentados são resultado do cruzamento de dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com a lista de prefeitos, governadores, deputados e senadores de todo o país. Coronelismo eletrônico.

No ano passado, uma subcomissão especial da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, analisou os processos de outorga no setor de radiodifusão e apresentou, em dezembro, relatório revendo as normas de concessão de rádio e televisão. Uma proposta de Emenda Constitucional foi encaminhada pelo grupo, acrescentando um parágrafo ao artigo nº 222 da Constituição, que estabelece: ''não poderá ser proprietário, controlador, gerente ou diretor de empresa de radiodifusão sonora e de sons e imagens quem esteja investido em cargo público ou no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial''. A presidente da subcomissão, deputada Luíza Erundina (PSB-SP), explicou, na época, que, como esse artigo ainda não foi regulamentado, os detentores de cargos públicos conseguem burlar a Constituição. Segundo ela, os políticos utilizam essas brechas para adquirir emissoras. O coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Augusto Schröder, condena a utilização privada das concessões públicas e defende que a lei seja mais clara e que sejam construídos ritos públicos eficientes. A deputada relatora da proposta, Maria do Carmo Lara (PT-MG) declarou, no relatório, que a propriedade e a direção de emissoras de rádio e televisão 'são incompatíveis' com a natureza do cargo político. O texto cita ainda um 'notório conflito de interesses' dos parlamentares, já que os pedidos de renovação e de novas outorgas de rádio e TV passam pela aprovação dos próprios deputados e senadores. A proposição ainda não foi posta em votação.

Fontes: Site Vermelho e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)

26.3.08

Ubatuba recebe delegações das 52 cidades do JORI

A capital do surf se prepara para iniciar um dos maiores eventos esportivos do estado

Agência SR Prado Comunicação
de Ubatuba

A cidade de Ubatuba recebeu nesta quarta-feira, 26, as delegações dos 52 municípios que participarão do XII JORI (Jogos Regionais do Idoso), no Ginásio de Esportes Benedito Pinho Filho.

Segundo a primeira-dama e presidente do Fundo de Solidariedade, Denise César, destacar a valorização da melhor idade e a interação entre os atletas, estão entre os principais objetivos dos Jogos Regionais do Idoso. É um projeto do governo do Estado de São Paulo que é repassado aos governos municipais através do Fundo de Solidariedade.

Na ocasião, o Secretário de Esportes de Ubatuba, José Luiz Bittencourt Jr., fez a entrega simbólica dos kits para as delegações, contendo um guia dos jogos, uma mochila e um mapa de orientações.

Bittencourt afirmou ainda que o trabalho, a partir de agora, com a chegada de todas as delegações, será mais intenso. O secretário da pasta destacou também os preparativos para a recepção dos atletas, o cuidado com os locais dos jogos e alojamentos das equipes, pois “até então a cidade estava se preparando para recebê-los, e agora teremos efetivamente o começo dos jogos”, concluiu.


Os cerca de 3000 atletas que participam das competições receberão atendimento personalizado. Em todos os alojamentos foram feitas adaptações especiais, como banheiros com pisos antiderrapantes e a instalação de corrimões, pois os competidores têm idades superiores a 60 anos.

FIES: dívida ou trabalho?

por Marcos Cuba

Prestar um vestibular e passar às vezes não é tão difícil como pensam, mas se manter dentro de uma faculdade não é tão simples como parece. Além das mensalidades, que não custam menos do que R$ 250, há outros gastos como com os livros, apostilas, lanche e no final do curso existe mais um gasto, o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), algumas pessoas fazem monografias, o que fica mais barato, mas nem sempre o barato é fácil e outras pessoas optam por produzir produtos para serem aprovados e adquirir o diploma de curso superior. Lembro-me quando eu estava no meu segundo ano de faculdade e um professor dizia que estávamos investindo em nosso futuro e que para sermos profissionais de destaque precisaríamos ser as bolinhas vermelhas, será que ser bolinha vermelha hoje em dia basta ou, além disso, precisamos de uma forcinha?

Toda essa introdução é para dizer que pisar numa faculdade é algo que está se tornando uma realidade brasileira. Os que estão cursando uma faculdade são considerados vencedores e há pessoas que dizem que estes são parte da elite. Nem sempre, sou prova disso.

Quando temos um sonho devemos lutar por ele, e foi isso que fiz, por mera coincidência estes dias eu assisti uma palestra cujo tema era motivação, me vi no papel do palestrante. Caso vocês queiram saber do que estou falando acessem o blog www.primeiraturmadeletras.blogspot.com
e confiram.

Não utilizei o Fies que é uma forma de financiar os estudos numa universidade, eu pude estudar com bolsa integral 100% do programa Escola da Família, mas o que venho dizer é que agora esta forma de custear os estudos poderá ser trocada por serviços. Mas isto não é para todos e sim para os professores de matemática, física, química e médicos. A proposta deverá ser assinada no Rio de Janeiro e possivelmente será criada uma lei, mas para trocar a dívida do financiamento por trabalho é preciso optar por isto quando assinar o contrato.

Fico feliz em saber que as oportunidades do ingresso à universidade estão ampliando, mas ao mesmo tempo me preocupo com a formação destes profissionais, porque infelizmente há instituições que querem enriquecer e não se preocupam com a qualidade do ensino e dos profissionais formados, e por outro lado me pergunto, porque depois de tanto tempo que decidiram dar oportunidades aos pobres oprimidos que desejavam estudar?

O poder da mídia contra o mosquito

por Fábio Santos

Se eu perguntar qual foi o ponto alto da programação televisiva nesta terça-feira, 25, a audiência e a maioria das pessoas me dirão que foi o final do Big Brother Brasil 8. Mas como jornalista, gostaria de mostrar um outro momento, veiculado pela própria Rede Globo, nesta terça.

Com a atual crise de saúde pública instalada em decorrência da epidemia de dengue no Rio de Janeiro, a emissora carioca começou a mostrar que a mídia pode e deve ajudar neste problema. Durante o Jornal Nacional foram exibidas reportagens que mostraram a história de algumas vítimas fatais da doença, tentando sensibilizar os telespectadores.
Todos sabemos que a Rede Globo possui grande poder sobre a opinião pública e agora está utilizando este poder para levantar a bandeira do combate à dengue.

Cabe observar que no ano de 2007 o Estado do Mato Grosso passou por crise parecida e a grande mídia não deu tanta ênfase quanto agora. Concordo que a epidemia de 2008 é mais grave, mas acredito que o fato de estar ocorrendo no “quintal” da emissora, contribuiu para esta mobilização.

A Rede Globo está certa e é o dever dela realizar este serviço de utilidade pública, mas o que gostaria de discutir é o fato de sermos tão dependentes deste poder de opinião da empresa. Após a primeira reportagem do Jornal Nacional o Governo já instaurou um gabinete de crise e disponibilizou tendas para a hidratação dos pacientes. Qual seria a atitude se a imprensa não estampasse a crise de saúde no horário nobre?

A mídia é importante sim, mas os Governos precisam administrar as questões de interesse público e a população deve agir com consciência, sem a necessidade de campanhas e fiscalizações.
A dengue é uma realidade e a cada ano mata mais pessoas. Quando será que vamos aprender a cuidar de nós mesmos?!


Acredito que o Governo do Rio tenha culpa pela má qualidade no serviço de saúde pública, mas tenho certeza de que a população foi omissa e contribuiu para que, mais uma vez, pessoas fossem derrotadas por um simples e frágil mosquito.

25.3.08

Ian Curtis não morreu!

Participação Especial
por Oswaldo Corneti

Não foi medo nem delírio (é sério!), mas o fato é que o dito cujo estava lá em São Paulo. Sim! Ele mesmo, Ian Kevin Curtis, vocalista e letrista da banda inglesa Joy Division, em carne e osso.

Antes que você ache que esse texto é uma grande balela, eu te explico:

Em 18 de maio de 1980, a imprensa musical britânica, comunicou para quem quisesse ouvir, através de um anedotista, a morte por suicídio, de Ian Curtis. A noticia se espalhou rapidamente, assim como fofocas de senhoras desocupadas, tipo facilmente encontrado em qualquer cidadezinha tosca do interior paulista.

Passados quase trinta anos, eis que Ian reaparece em São Paulo, na noite do ultimo dia 11 de março, para uma apresentação com sua nova banda, Interpol.

Com seu comportamento típico de vocalista de banda indie, Ian, que agora atende pelo nome de Paul Banks, pouco falou com a platéia de quase cinco mil pessoas que se “acabavam na pista”, de tanto dançar aos hits de sua nova banda.

Não se sabe ao certo que de fato levou Ian (ou melhor, Paul Banks) a sair do Joy Division e a montar sua nova banda tanto tempo depois de sua morte ter sido anunciada. Mas o que é bacana de se notar, é que sua voz continua a mesma, e a nova banda, segura a onda direitinho no quesito “ao vivo”.

O show, que começou com certo atraso(os rapazes da banda vestiam seus terninhos engomadinhos como de costume, enquanto Ian estava com um penteado, que talvez justificasse tanta demora do grupo), ao som de Pionner To The Falls, musica que abre terceiro disco de estúdio da banda americana. Um tecladista ainda tentava reforçar o som, mas logo se percebeu que não teria tanto êxito. A aparelhagem e a acústica da casa, deixaram a desejar, e durante algum tempo, o tecladista ficava fazendo gestos para o técnico da mesa de som, o que não surtiu muito efeito.

“Os caras estão tirando leite de pedra!”, exclamou Fabiano Nubrassi, de vinte anos.

O set list, que mesclou músicas dos três álbuns do Interpol, teve dezoito pedradas disparadas em mais ou menos uma hora e meia de show. Porém, a que mais inflamou a platéia, foi "Stella Was a Diver and She Was Always Down", do álbum “Turn On The Bright Lights”, o primeiro da banda.

De todos da banda, o que mais chamou a atenção, foi o competente guitarrista, que tocava como um esganado, dançando de forma um tanto desengonçada, enquanto disparava riffs de guitarra feito um louco.

“Estou surpreso com o comportamento do guitarrista (Daniel Kessler). “De certa forma o cara até que interagiu com a platéia, e me surpreendeu, porque li várias declarações deles na imprensa, onde eles diziam para o publico não esperar muita coisa deles em matéria de calorosidade”, comentou Mauricio Neves, de vinte e dois anos, que aguardava na fila desde as duas da tarde (as portas só se abriram às sete da noite). E completou: “Valeu a pena esperar tanto tempo!”.

Na platéia, composta em sua maioria por jovens na faixa dos vinte e poucos anos, e alguns tiozões saudosistas dos tempos do Joy Division, a empolgação foi tanta, que alguns deles nem se deram conta do clima dantesco que tomava conta do lugar. A estudante de direito, Renata Moura, de vinte e seis anos, estava eufórica: “Ta demais! Você não pode imaginar a minha alegria! Eu estou molhadinha!”. Sim, todos que estavam na parte mais próxima ao palco, ficaram “molhadinhos”, mas foi de suor(você já tava pensando besteira né seu safadjénho!).

“Eu prefiro assistir ao show aqui no pé do palco, pra ouvir se sentir a musica de maneira mais intensa, se você quer ir lá pra trás, pode ir.”, berrava uma garota, a plenos pulmões, a um rapaz (certamente seu namorado), que queria ficar longe do inferninho que estava a região conhecida como “gargarejo”.

Pra piorar, a administração da casa de shows, não disponibilizou dinheiro de troco o bastante pra atender a demanda do bar. Resultado: filas enormes e muita irritação apenas pra tomar aquela cervejinha malandra e refrescante com os amigos.

Voltando a Ian (tá bom, Paul Banks), o rapaz apenas disse algumas palavras inaudíveis ao microfone, certamente para agradecer a presença de todos, e aos corajosos que tiveram a moral (e a grana) pra pagar cinqüenta paus numa camiseta vendida pelo merchandising oficial da banda, dentro da casa.

Entre molhadinhos e irritadinhos, a platéia até que se comportou bem, e a molecada indie pode ir pra casa com um sorrisão enorme no rosto e a sensação de terem feito o dever de casa certinho. Afinal, “indie que é indie, se comporta de maneira educada e bonitinha, caso contrário, papai não libera a grana pra dar rolê no sábado a noite”, né benhê!

A temporada de shows gringos em terras tupiniquins promete ser muita intensa em 2008, ainda se espera outras bandas como Radiohead, Klaxons, Editors, que são aguardadas com euforia pelos moderninhos de plantão, assim como os católicos aguardam ansiosamente o retorno de vossa santidade, o papa Bento XVI.

Ubatuba realiza Congresso Técnico do XII JORI

Agência SR Prado Comunicação
por Cleyton Torres

Ubatuba – Nesta quarta-feira, 19, foi realizado o Congresso Técnico do XIIº JORI (Jogos Regionais do Idoso), no Areia Summer House, na Praia Vermelha do Norte. A reunião, formada pelos membros do Comitê Organizador, tinha o objetivo de sortear as chaves que definiriam a composição de equipes que se enfrentariam. O evento, que é um dos mais importantes do Estado de São Paulo, este ano ocorrerá em Ubatuba, e conta com 52 cidades inscritas e cerca de 3.000 atletas, todos com 60 anos ou mais.

Na reunião, entre os integrantes da mesa, estavam a presidente do Fundo Social de Solidariedade de Ubatuba, Denise Cesar, o Chefe do Comitê Dirigente, Paulo Luiz Vantine, o Diretor da Divisão de Lazer da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Turismo, Enio Leôncio de Souza, além do Secretário de Esportes, José Bittencourt.

Bittencourt destacou a importância para Ubatuba em sediar os jogos, ao mencionar “o aquecimento da economia da cidade, assim como o benefício para a rede de hotéis e restaurantes”. O Secretário de Esportes também lembrou os resultados positivos obtidos por Ubatuba na realização do JORI anterior, onde 56 municípios se inscreveram e a cidade ficou em 4º lugar.

Os atletas que irão participar da competição receberão atendimento personalizado. Todos os banheiros sofreram adaptações, já que os competidores têm 60 anos ou mais. Também foram instaladas cozinhas em todos os alojamentos, que servirão 5 refeições diárias, além de funcionários do evento que irão atender às necessidades das equipes.

A recepção das equipes acontecerá no dia 26, no Ginásio de Esportes Tubão. O coquetel de recepção às primeiras-damas acontecerá na sexta-feira, 28, a partir das 14h, no Restaurante Oásis, na Praia Grande, e a cerimônia de abertura acontecerá no mesmo dia, às 16h, no Ginásio da E.M. Marina Salete, no Perequê Açu.

Para a imprensa, os órgãos interessados podem cadastrar os profissionais para a cobertura jornalística do 12º JORI. A imprensa poderá contar com computadores, impressora e telefone, que serão colocados à disposição, na sede do Comitê Dirigente.

agencia.srprado@gmail.com

Pequim 2008

por Cleyton Torres

No dia 8 de Agosto, quando os Jogos Olímpicos se iniciarem, 10 mil jornalistas e meio milhão de turistas estarão pelas ruas de Pequim. Como irão os chineses tapar esse sol com a peneira?


Vídeo-chamada do blog



AUTOR
O jornalista e membro do Blog Seu Brasil, Fábio Santos, foi o produtor do vídeo-chamada para nosso blog, publicado no YouTube.

Conscientização: quanto ainda vamos perder por sua ausência?

por Vanessa Espíndola

Extremamente chocada com a situação da dengue no Rio de Janeiro, pus-me a questionar o problema. A verdade é que quando se fala em dengue, pelo menos na cabeça de muitos, o que vem a cabeça são aqueles famosos cartazes sobre o mosquito transmissor e com vasos e garrafas de água. Está bem, você lê o cartaz, fica ciente dos riscos da doença e das estatísticas com o número de vítimas
.

Eu lhe pergunto o que você faz?

Seguem duas alternativas:

Primeira: Resolve fazer algo em relação ao que leu, fiscaliza sua casa, evita pontos de água parada e procura realmente conscientizar as pessoas, mesmo que seja apenas na sua casa.
Segunda: Você pensa: Nossa, essa história de Dengue é perigosa mesmo...
Dois minutos depois, já nem lembra do que leu. Está bem, vamos ser mais generosos, você lembra do que leu, mas não põe, absolutamente, nada em prática.

Sejamos sinceros, muitas vezes acabamos não colocando em prática toda a informação que nos é passada. Mas por que isso acontece?

Por que a conscientização só chega quando a situação já está alarmante?

O caos em que se encontra o município do Rio de Janeiro deveria servir de lição para o resto da população brasileira. Deveríamos olhar para a situação e procurar nos conscientizar a respeito do problema.

A luta contra a Dengue deve ser diária e não adianta confiar apenas na eficácia dos panfletos e cartazes, que também são importantes, mas que só têm eficiência quando conciliados ao bom senso de cada um.

No ano passado, a cidade de Ubatuba-SP teve grande número de pessoas picadas pelo mosquito, resultado: em 2008, o índice praticamente caiu a zero, porque desta vez o poder público e o poder local uniu forças para combater o problema que deixou a cidade em pânico o ano passado.

Mas será que precisamos passar por uma epidemia para aprender a lição?

Quando somos capazes de abraçar uma causa e envolver nossa comunidade, as conseqüências do problema diminuem, basta colaborar.

A sua conscientização, neste caso e em outros casos, faz a diferença.

* Aproveito para indicar blogs de dois colegas que são a favor da conscientização de questões extremamente importantes, Meio Ambiente e Política.

Blog Natureza em Pauta
Jornalista Anne Rodriguez

Blog Por trás das Cortinas

Jornalista Hugo Luz

24.3.08

Entrevista com Marco Antonio Giorgi

"A crise pode ser apenas a ponta do iceberg"

Entrevistamos Marco Antonio Giorgi, operador financeiro de uma das agências bancárias do maior banco privado do Brasil, o Bradesco


por Cleyton Torres

Blog Seu Brasil - O economista e atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, mencionou a crise de 29. O mundo realmente caminha para isso?
Marco Antonio Giorgi - Há quem compare a crise atual com a crise de 29, afinal, no fundo, ambas foram causadas pela euforia e excesso de confiança. O fato é que a economia é cíclica, e a crise é seria, mas daí a comparação com a crise de 29 já acredito ser um exagero, por diversos motivos.

O principal deles é que, atualmente, há diversos instrumentos de política monetária nas mãos dos governos e que não existiam, ou não eram usados em 29 com a mesma eficiência que hoje, como políticas de juros e políticas cambiais. Basta ver o esforço do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) para reduzir os juros e injetar assim dinheiro na economia.

O segundo motivo é que a economia atual é muito mais transparente do que era em 29. Hoje a informação corre solta. Em 1929, negociavam-se papéis de empresas que nem sequer existiam, simplesmente por falta de informação. Atualmente, os investidores acompanham em tempo real todas as bolsas do mundo através da Internet. Qualquer um pode ver o balanço de uma empresa que possui ações, e assim analisar sua saúde financeira antes que venha o pior.

O terceiro motivo está em que a economia mundial está bem menos dependente dos Estados Unidos. A China passa a ganhar espaço com uma velocidade impressionante, e pode se tornar o grande motor da economia mundial no caso de um agravamento na situação americana. Bom para o Brasil, que exporta cada vez mais para a China do que para os Estados Unidos.

Com certeza os motivos não tiram a gravidade da crise. Praticamente todos os indicadores da economia indicam um quadro recessivo nos Estados Unidos. Segundo Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, será a pior desde a II Guerra Mundial. Exageros à parte, vale lembrar também que o Brasil nunca esteve tão preparado para enfrentar uma crise como está agora. As reservas internacionais estão altas, sendo que a dívida externa está zerada. A Selic (taxa básica de juros) também encontra-se no menor nível da história (ainda que alta para padrões internacionais), e o câmbio barato ajuda a segurar a inflação. Sem falar na possibilidade de receber grau de investimento. Vale lembrar novamente que os Estados Unidos possuem uma participação cada vez menor nas nossas exportações, ou seja, somos cada vez menos dependentes deles. Se fosse em outros tempos, (alias, há nem tanto tempo assim) com certeza veríamos a Bovespa derretendo, e o dólar disparando a cada dia. Mas não. O Brasil mostrou que é confiável e ganhou a confiança do investidor estrangeiro. Basta ver que, das principais bolsas do mundo, desde o início da crise, a Bovespa foi uma das que menos se desvalorizaram.

Apesar disso, não se sabe ainda se seremos afetados. Ainda não existe consenso entre os economistas do contagio da crise nos países emergentes. Mas de que estamos muito mais preparados para passar por uma crise, parece não haver dúvidas.

BSB - Em relação à crise, o que representa a compra do Bear Stearns pelo JP Morgan?
MAG -
Bear Sterns é um ícone do mercado financeiro americano. Trata-se de um banco de investimentos respeitadíssimo, com 85 anos de vida (tendo sobrevivido, portanto, à crise de 29, e à II Guerra Mundial), e que se orgulhava de nunca ter tido prejuízo em nenhum período de sua historia. Vale lembrar também que era um banco focado justamente no que foi o pivô da crise: os títulos imobiliários de altíssimo risco. Mas também vale lembrar que o preço de uma ação deste banco, há pouco tempo, era de aproximadamente US$ 100.

Pois bem. Chega a crise imobiliária. Descobre-se que a carteira do banco, focada nestes títulos, vale muito menos do que acreditavam que valia, e os calotes dos clientes começam a acontecer, e assim começa uma série de prejuízos. Com certeza o Bear Sterns não foi o único, como se viu os rombos bilionários nos balanços dos bancos americanos. Mas foi o pior até agora, justamente porque era focado no setor que era o olho do furacão.

Por fim, o rombo foi tão grande, que o JP Morgan o comprou por um valor por ação de US$ 2, praticamente uma bala Juquinha. Era a mesma ação que, há menos de um ano, valia US$ 100. Além da desvalorização absurda, a quebra do banco gera uma incerteza muito grande no setor. O mercado começa a especular quem será o próximo banco a quebrar, e um banco começa a desconfiar do outro. Assim, os empréstimos entre os bancos ficam mais caros, afinal, para emprestar para alguém que possa estar quebrado, cobra-se juros muito mais altos para compensar o risco do calote. Com juros mais altos, a economia não se estimula, as empresas não crescem, e o desemprego aumenta.

BSB - A possível inflação no Brasil é um sinal de que seremos atingidos?
MAG -
A inflação no Brasil ainda está sob controle. O dólar barato ajuda a segurar a inflação, pois estimula as importações. O grande risco que eu vejo na inflação é se houver reajuste na gasolina, pois o combustível é responsável por uma boa parte do índice de inflação, e o preço do petróleo está batendo recordes históricos, ultrapassando US$ 100 por barril, chegando quase nos US$ 110 (para se ter uma idéia, era de aproximadamente US$ 30 em 2003, quando Bush invadiu o Iraque). Se continuar nesse nível, mais cedo ou mais tarde a Petrobrás terá que reajustar o preço da gasolina, e isto pode dar um empurrão na inflação.

Mas como os dólares não param de sair dos Estados Unidos para entrar no Brasil, o câmbio deve continuar baixo. O Banco Central também não deve fazer loucuras de reduzir juros de forma irresponsável agora. Esses fatores devem ajudar a segurar a inflação, pelo menos no curto prazo.

BSB Há saída para fugir da crise?
MAG -
Não acredito em uma resolução da crise no curto prazo. Na verdade, o mercado ainda não sabe com precisão sua dimensão, mas aparentemente ela é mais profunda do que se pensava. Os balanços dos bancos americanos, com seus rombos bilionários, assustam, e não se sabe ainda se todos os prejuízos já foram contabilizados, ou se a primeira leva de balanços é apenas a ponta do iceberg. Primeiro, achavam que era um problema só dos bancos, depois vimos quebras de seguradoras de crédito, que faziam seguro justamente dos créditos desses bancos. O medo é que comece a se espalhar para empresas de setores diferentes, contagiando o resto da economia.


Talvez o pior da crise seja que ela irá trazer restrição ao credito nos Estados Unidos, pois ela foi causada justamente pelo crédito fácil que bancos ofereceram a clientes com capacidade de pagamento meio duvidosa. Essa restrição ao crédito por si só já dificulta a resolução da crise, uma vez que com pouco crédito, fica muito difícil movimentar a economia.

A expectativa é que a crise está começando a dar as caras mesmo agora, o que antes era somente um começo e não havia noção de sua dimensão. Estamos entrando na pior fase da crise, pois logo mais o Fed não terá mais como reduzir os juros, e terá que tomar medidas diferentes que não se sabe se serão eficientes.

Mas também não acredito que seja o apocalipse. Bem ou mal os prejuízos estão sendo contabilizados, e a economia deve se recuperar no médio/longo prazo. O fato é que os fundamentos no Brasil estão muito bons e, ironicamente, a economia do Brasil é o oposto da dos Estados Unidos. Enquanto a americana vive uma crise, nós é que vivemos uma prosperidade. Acredito que a situação aqui só poderia piorar de uma maneira mais forte se a China e os outros emergentes forem contaminados.

BSB - O Fed corta os juros e vai a 2.25%. Isso alivia o mercado?
MAG -
O Fed cortando juros é como um caminhão de bombeiros em um incêndio: o “custo do dinheiro” para empréstimos no curto prazo fica mais barato, e a economia se movimenta. Isso vem aliviando o mercado desde o primeiro corte de 0,50%, no segundo semestre do ano passado. Mas é uma medida que tem limite. Vale lembrar que, desde o começo da crise, os juros já caíram mais da metade. O espaço para novos cortes é cada vez menor, até porque, isto gera inflação porque também aquece o consumo. Uma crítica é que o Fed demorou demais para tomar a atitude de cortar juros, e quando cortou, cortou de uma forma meio desesperada. A grande questão no mercado é o que o Fed vai fazer depois que os juros chegarem a um limite, que não está nem um pouco longe. Ou seja, a “gordura” para cortar juros está acabando, se é que já não acabou. Novos cortes a partir de agora começam a estimular inflação. Aí sim a crise pode se agravar. É como se a água do caminhão de bombeiros estivesse muito perto do final, e o incêndio continuasse alto.

BSB- Haverá mais cortes nos juros aqui no Brasil?
MAG -
Não acredito em cortes no Brasil por enquanto, pelo contrário. A tendência da Selic agora é de estabilidade com ligeira tendência de alta, como dizem os economistas que leram a ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). E não deve cair mais por enquanto, justamente porque, diferente da americana, a economia brasileira está muito aquecida, então cortes nos juros trariam inflação. Enquanto nos Estados Unidos, o Fed corta os juros para estimular a economia, aqui acontece o contrário. O Banco Central mantém, para não superaquecer a economia e não gerar inflação. O viés de alta na Selic é justamente para tentar segurar o risco inflacionário.

BSB- A desvalorização do dólar já é mundial. O que isso pode afetar no cenário de um futuro próximo?
MAG -
A desvalorização do dólar é mundial, e é de certa forma preocupante. Com isso, as exportações americanas são estimuladas, e as importações, desestimuladas. Assim, o dólar fraco puxa a inflação dentro dos Estados Unidos para cima. Somado ao dólar fraco, temos a queda nos juros americanos, que também estimula a inflação. Ou seja, oferta e demanda: consumo estimulado e falta de produtos no mercado, elevando os preços para cima.

O grande risco é de o dólar barato e os juros baixos transformarem a recessão americana em estagflação, o que é bem pior, pois é a combinação de inflação alta com falta de crescimento econômico. Em outras palavras, a economia não cresce, e o poder de compra da moeda se corrói. Algo parecido com o Brasil dos anos 80. Um cenário desses pode acontecer dentro dos Estados Unidos, se o Fed não conseguir manter o controle da inflação.


O dólar fraco também é responsável pelos recordes nos preços das commodities, como o petróleo a mais de US$ 100 por barril, e o reajuste do preço de minério de ferro conseguido pela Vale, com aumento de 70% em relação ao ano passado. O aumento nas commodities é muito bom para o Brasil, pois são esses os produtos que exportamos, basta ver que nossas principais empresas são Petrobrás, que exporta petróleo e Vale do Rio Doce, que exporta principalmente minério de ferro.

Mas com certeza o nível do dólar começa a preocupar não só o Brasil, como também os outros países, pois não se sabe ainda até que ponto é sustentável. Pode ser tudo uma grande bolha especulativa. A velocidade da queda do dólar dificulta a adaptação da economia ao novo câmbio, o que prejudica o exportador brasileiro que não exporta commodities, e pode gerar no curto e médio prazo, quebra de algumas empresas exportadoras, e desemprego.

Fonte: Blog Mídia8!