16.5.08

Lula e meio ambiente: nada a ver

por Ton Torres

O novo ministro do Meio Ambiente, o deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ), disse que foi intimado a aceitar o cargo. Intimado? Sim, intimado. Quem intimou? Lula intimou. É praxe de o governo petista intimar, assim como ameaçar e censurar.

Marina Silva pediu demissão. Disse que tomou tal decisão por encontrar barreiras que a impediam de exercer sua função plenamente. "A minha permanência não estava mais agradando”, disse a ex-ministra. Quem impediu? Tanto a oposição quanto o governo. Os petistas não gostam de quem trabalha direito. A oposição também não gosta. É melhor impedir e deixar que os outros pareçam ineficientes. Vale lembrar que a saída de Marina Silva foi lamenta por diversos órgãos internacionais, como o Greenpeace e a WWF, além da própria chanceler alemã, Angela Merkel.

Minc anunciou que pretende manter parte da equipe de Marina Silva e convidar o ex-governador do Acre, Jorge Viana, para ser coordenador-executivo do Plano Amazônia Sustentável, cargo para o qual Lula nomeou o ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Minc disse também que pretende aumentar as exigências e diminuir a burocracia em relação às novas concessões ambientais.

Sai Marina. Entra Minc. Lula nunca acerta. Sempre entre escolher o certo e o errado, Lula opta todas às vezes pelo errado. Quando erra e a coisa vai bem, a alma petista fala mais alto e impede a funcionabilidade de algumas pastas governamentais. Minc pediu carta branca a Lula. Melhor dizendo, pediu “carta verde”. Esse é meu medo: dar liberdade a um petista em relação a papéis verdes. Muitos papéis verdes.

Uma parceria comigo mesmo

por Ton Torres

Semana passada recebi um telefonema muito agradável. Era uma tarde fria e, apesar de ainda estar apenas no meio da tarde, já era escuro. Atendi meu celular, mesmo sem reconhecer o número que aparecia no visor. “Senhor Cleyton?”, perguntava a simpática voz feminina. “Sim”, confirmei. “Seu projeto foi aprovado e, por isso, saiu a sua bolsa”, completava a moça do telefone.

Sim, saiu a minha bolsa. O peso, para mim, não era o do valor financeiro que eu iria poupar, mas sim o de reconhecimento de meu projeto acadêmico. Com certeza muitos projetos foram enviados, mas apenas alguns seriam selecionados e outros menos ainda seriam contemplados com a bolsa de estudos.

Para muitos pode até não ser grande coisa, mas para mim o fato de que meu projeto foi objeto de interesse e aposta dos professores que o analisaram, já é um ponto importante e um ânimo a mais para seguir em frente na academia. Agora, sou bolsista do Programa de Pós-Graduação em Assessoria, Gestão de Comunicação e Marketing, oferecido pela Universidade de Taubaté (UNITAU). Portanto, a partir de agora resolvi realizar uma parceria comigo mesmo e iniciar um projeto que pretendia por em prática no ano passado, mas que por motivos diversos não o iniciei. Trata-se apenas de publicar, aqui no blog, com uma periodicidade não muito fixa, artigos próprios, vídeos, entrevistas e outros pontos embasados no tema do projeto: Eco Marketing.

O primeiro post é apenas expositório, só para familiarizá-lo com o projeto: um blog sobre Eco Marketing, escrito por um pós-graduando. O segundo texto já irá posicioná-lo melhor sobre o tema e sobre os caminhos que pretendo trilhar no curso até chegar ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que á a monografia final, que me fornecerá o título de especialista.

No mais, aguardo leituras, críticas, sugestões e comentários durante o programa acadêmico. A seguir, uma brevíssima descrição sobre mim.

* Cleyton Torres, também conhecido apenas por Ton, é jornalista e designer gráfico. Atualmente é assessor de imprensa e editor de mídia em uma recém criada agência de comunicação, a SR Prado Comunicação. Possui extensão universitária em Cinema e bolsista do Programa de Pós-Graduação em Assessoria, Gestão de Comunicação e Marketing pela Universidade de Taubaté (UNITAU). Além de ser blogueiro e crítico político, foi finalista do 2º Prêmio Banco Real Jovem Jornalista - Semana Estado de Jornalismo, um dos mais importantes concursos do meio jornalístico de todo o estado de São Paulo para jovens jornalistas, patrocinado pelo Banco Real e realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

14.5.08

Você sabe o que aconteceu no ano de 1968?

por Fábio Santos

Há exatos 40 anos o mundo passava por um dos momentos mais importantes do século XX. A globalização começava a mostrar sua face e o planeta entrou em colapso diante de conflitos entre diversas nações, gerando um princípio de revolução, que veio do povo.

Em maio de 1968 uma greve geral aconteceu na França. Rapidamente adquiriu significado e proporções revolucionárias, mas logo em seguida foi desencorajada pelo Partido Comunista Francês. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, faixa etária e de classe.

A resposta da população aos rígidos governos, sejam eles de direita ou de esquerda, foi um episódio fundamental para a história contemporânea que deve ser compreendido para que possamos entender a atual realidade do planeta.

A partir desta publicação, o blog "Seu Brasil" vai apresentar um documentário exibido originalmente pelo canal fechado Globo News, e que retrata as diversas faces daquele ano que marcou nossa história.

No primeiro capítulo poderemos entender os motivos das revoltas da década de 60, a importância da classe estudantil e o papel da mídia sobre a opinião pública, sobre tudo no caso da Guerra do Vietnã.

9.5.08

Eleitor quer renovação de Câmaras

por Hugo Luz

Pesquisa publicada pelo Jornal Valeparaibano deste domingo informa que a maior parte dos eleitores do Vale do Paraíba não pretendem votar nos vereadores que estão há quatro anos nas Câmaras Municipais. De acordo com o cientista político Marco Antonio Teixeira, da PUC, trata-se de uma tendência nacional. Essa é uma realidade que a cidade de Lorena já experimentou no último pleito: dos 17 vereadores, apenas dois foram reeleitos.

Eu creio, ao longo de uma experiência de três anos e meio dentro de uma Câmara Municipal, que o eleitor em geral ainda tem uma visão distorcida do papel do Legislador, que é visto como alguém que faz pequenos favores, doa jogos de camisa, botijão de gás, etc.

Outro fato que pode ter ajudado é uma perceptível mudança na forma de visão dos eleitores com relação aos políticos. Essa mudança tem seu carro chefe nas novas gerações, o que é comprovado por dados da mesma pesquisa, que indicam que a maior insatisfação é registrada entre os mais jovens: cerca de 42,9% das pessoas entre 16 e 18 anos afirmaram que se a eleição fosse hoje votariam em candidatos diferentes dos atuais vereadores. Na cidade de Jacareí esse número chega a 73,3%. Já em Taubaté, 27,3% dos jovens são favoráveis à renovação.

O próprio Jornal Valeparaibano tem sido um espelho de que a população está insatisfeita com a atual forma de se fazer política. Há mais de um mês as manchetes do jornal têm mostrado fatos como: “Prefeito de São José usa prédio público para fazer reuniões de campanha”, ou “Assessores trabalhavam em empresa de vereador durante expediente”, ou ainda “Vereador afirma que vai devolver 18 reais aos cofres públicos referentes a cópia que assessor teria dado à entidade”. São coisas que acontecem há anos em todas as esferas de Poder, mas que nunca ninguém falava nada. Acredito que uma grande mudança está por vir.

Em minha opinião, os resultados da pesquisa indicam tal mudança quando apontam que grande parte dos analfabetos reelegeria os vereadores que hoje possuem Cadeiras nas Câmaras. Essa parte da população ainda é bastante vulnerável àquela política de varejo que falamos anteriormente. Trata-se de um atraso, pois é claro que a Assistência Social (veja bem, não estamos falando de assistencialismo, e sim de Assistência) é de competência do Poder Executivo. Além disso, essas classes não têm acesso às informações, como as que falamos acima.

Embora enxergue como clara e inevitável a mudança na forma de visão das pessoas com relação aos políticos, acho interessante ressaltar o que pensa Sidney Kuntz, diretor-superintendente do Instituto Brasmarket, responsável pela pesquisa: “Essa insatisfação nem sempre se reflete nas urnas. Na maioria dos casos, porém, as pessoas podem até não gostar do trabalho do vereador, mas na última hora acabam votando nele porque conseguiram algum favor ou porque algum amigo pediu.” Bom, mas ainda preocupante.

8.5.08

Curso de Mídia Almap

por Fábio Santos

21 e 22 de junho
(reservas até dia 23 de maio)

Tipo do Curso:

Curso ministrado pelos profissionais de mídia da Almap/BBDO, abrangendo tudo o que um profissional precisa saber para atuar no mercado de mídia. Dirigido a publicitários, estudantes de comunicação e marketing, profissionais de veículos e anunciantes.


Instrutores

Eugênio Voltarelli Neto:


Atualmente supervisor de Pesquisa de Mídia Almap BBDO. Principais Clientes: Volkswagen, Claro, Embratel, Havaianas, Mizuno, Bayer, Antártica, Bauducco, O Boticário, Gol Linhas Aéreas, Pepsi, Elma Chips e Carrefour.


Atuou na Carillo Pastore Euro RSCG atendendo Embratel, Intel, Lu Danone, Reckitt Benckiser, Peugeot e Citroen. Leo Burnett como Assistente de Pesquisa de Mídia. IG – Internet Group como Analista de Mídia.


Marcelo Aquilino:


Atualmente supervisor de Pesquisa de Mídia
Almap BBDO. Principais Clientes: Volkswagen, Claro, Embratel, Havaianas, Mizuno, Bayer, Antártica, Bauducco, O Boticário, Gol Linhas Aéreas, Pepsi, Elma Chips e Carrefour.

Atuou no Ibope Mídia Responsável pelos softwares de audiência (Família Telereport, Família Planview, EasyMedia3 e RadioPlanning) visando estudar o mercado e promover melhorias, além de descobrir novas oportunidades para esses produtos. Elaboração da estratégia, desenvolvimento e prática do MediaClass, projeto que visa a capacitação do mercado nos softwares comercializados pelo IBOPE.


Módulos

INTERAÇÃO

PANORAMA DA MÍDIA

Histórico da Mídia Brasileira

Áreas de atuação de um profissional de Mídia

Como funciona a área de Mídia em uma agência

PESQUISA DE MÍDIA

Objetivos e Funções da área

Os Institutos de Pesquisa

Conceitos Básicos de Mídia


TV


Como se mede a audiência
Softwares Ibope
Emissoras/Custos/Coberturas


PAY TV

Metodologia Ibope

Softwares Ibope

Emissoras/Custos/Coberturas

PayTv Survey e Mídia Fatos


RÁDIO

Metodologia Ibope
Softwares Ibope

Emissoras/Custos/Cobertura

REVISTA / JORNAL

Metodologia Ipsos Marplan

Softwares Marplan

Revistas/Custos/Coberturas

Jornais/Custos/Coberturas
Circulação IVC

INTERNET

Metodologia Ibope

Conceitos específicos

Software Ibope

Portais/Custos/Coberturas


OUTROS (monitor/tgi/galileo/jove)

Monitor

TGI

Galileo

Jove

PLANEJAMENTO DE MÍDIA

Objetivos e Funções da área

O Sistema de Mídia

Objetivo

Estratégia

Tática

Processo de Reserva e Compra

MÍDIA ALTERNATIVA

O FUTURO DA MÍDIA

Carga Horária

2 dias, totalizando 12 horas.

Turmas

Máximo de 35 participantes.

Valor do investimento

R$ 248,00 (2x R$ 124,00)

Local: Lorena
Informações:
Prof. Fabio Corniani
fabio@frcc.com.br
(12) 9123-3894

Patifaria na Câmara de Vereadores de Pinda

por Marcos Cuba

Bom dia caros leitores. Venho retratar um assunto que está me causando algumas incompreensões e mudando o cenário da Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba, cidade onde resido.

A imprensa já divulgou para todos que os candidatos que trocaram de partidos podem perder o cargo. Isto acontece somente se o partido que este fulano pertencia requisitar a sua vaga perante o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), do contrário, ele continuará ganhando mais de R$ 4 mil por mês e fazendo as visitas em bairros e as campanhas.

Nesta cidade, vários vereadores trocaram de partidos, só que um deles parece que deu azar, porque o PT reivindicou a vaga e conseguiu. Aí então o conhecido FC (Felipe César) teria que sair da Câmara e dar lugar a Case, o Carlinhos do PT.

Isto aconteceu, só que o presidente da Câmara, que é do PSDB, questionou a pose de Carlinhos e atrasou este momento. FC entrou com recurso e conseguiu retorno à Câmara, mas pouco tempo depois o Carlinhos conseguiu uma nova liminar e assumiu como vereador de Pindamonhangaba.

Gente, que “Patifaria” é essa? O que está acontecendo numa cidade que há tanto tempo era pacata neste cenário? É preciso que nossos eleitores saibam as quantas anda a Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba. Isto é para causar indignação.

5.5.08

Essa tal liberdade

por Janaina Cortez

No dia 3 de maio comemoramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas será que nós jornalistas somos realmente livres?

Esse dia também é usado para recordar os milhares de jornalistas que perderam a vida em missão, em plena busca de informação, em busca da pura verdade.

Dois períodos históricos vieram-me à mente quando sentei para pensar um pouco sobre esta data e o que ela representa atualmente. O primeiro é mais remoto. Trata-se do Século das Luzes (século XVIII), na Europa e EUA.

O segundo é mais próximo, tanto no tempo, quanto no espaço. Falo das ditaduras militares da segunda metade do século XX, no Brasil

O efeito mais direto dos iluministas foi a inversão da ordem social estabelecida com os princípios herdados da era Medieval. Mas, um outro efeito, mais profundo e imperceptível, se processava nos porões do pensamento. Uma transformação radical alterava a posição que o ser humano ocupava dentro da natureza e da sociedade, foram instituídos os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade entre os povos.

“Posso discordar do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.” Esta frase, de Voltaire, ilustra um grande anseio de liberdade de pensamento e de comunicação.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é fruto do Século das Luzes. Reza o artigo 19 desse documento: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.”

Bem, quase dois séculos depois, na América Latina, “o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões” virou uma grande utopia. As informações eram violentamente censuradas pelo regime, por meio de torturas físicas e psicológicas, exílios, assassinatos e atentados, ou mesmo a cassação dos direitos políticos de centenas de jornalistas.

O caso mais expressivo talvez tenha sido o do jornalista Vladimir Herzog, enforcado em sua cela na sede do comando do II Exército, em São Paulo, no dia 25 de outubro de 1975.

Enquanto a classe média da sociedade brasileira assistia extasiada, pela TV em cores, ao jogo da final Brasil 4 X 1 Itália, da copa de 1970, no México, nos calabouços do regime existiam homens sendo mortos friamente.

Após o movimento das “Diretas Já” (1984), reinicia-se um processo de redemocratização política no Brasil. A partir de então, novos ares começaram a pairar sobre os meios de comunicação.

Mas, calma, as coisas não melhoraram da noite para o dia; e nem estão completamente sanadas. Acredito que produzir memória (crítica ou narrativa) é uma ação de responsabilidade social.

A “Liberdade de Imprensa” que eu, como jornalista, desejo, é uma construção cotidiana interminável e incansável. Acredito que a liberdade de imprensa é indissociável de responsabilidade social.

Nós, jornalistas do Blog Seu Brasil, fazemos nosso trabalho por que acreditamos (por mais difícil que seja) na possibilidade de construirmos um espaço de convivência social mais justo, menos violento, mais fraterno e mais igualitário.

Os espaços que reservamos para nossos leitores fazerem seus comentários é um lugar democrático, no qual depositamos o desejo de vermos discussões e debates que contribuam para a consolidação do regime democrático em nossa sociedade.

O jornalista não pode se limitar a informar sobre as mudanças ocorridas, mas deve ser também, ele próprio, um agente de mudança. Eu estou fazendo minha parte, e você?

Parabéns pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa!

1.5.08

Ironias de um 1º de maio

por Ton Torres

Ironia. Gosto desta palavra. Gosto de quem é irônico. É saudável usar a ironia no trabalho. Jornalistas bem sucedidos e respeitados usam a ironia o tempo todo. Jornalistas fracassados e esquerdistas também usam a ironia o tempo todo. Ironias em um 1º de maio (sim, 1º de maio, e não 1 de maio) são ainda mais cômicas.

Na véspera do dia do trabalho (no qual o trabalhador não trabalha!) recebi minha edição de abril da Revista do Brasil. Não gosto da revista, mas a adotei para fins meramente de ironização. A capa: Mino Carta. É bom ver como a imprensa manipulada pelo governo reage contra a própria imprensa. É bom ver uma edição de abril, o “mês vermelho” da facção terrorista MST.

A entrevista teve o mesmo tom que qualquer outra: pau na Veja e na Folha e que a culpa de tudo de ruim que acontece no Brasil é da “zelite” branca. Sempre a “zelite”. Sempre a mesma “zelite”.

A revista é tão insignificante que a esqueci dentro do carro, no porta-luvas, local que certamente nunca mais iria lembrar que ali jaz uma revista. Acontece que no mesmo dia recebi um livro que havia emprestado meses atrás: Lula é minha anta, do cronista Diogo Mainardi. Meu livro de cabeceira. Perfeito. Mino Carta e Diogo Mainardi não se bicam. Mino Carta e Diogo Mainardi seriam meu próximo tema aqui no blog.

Mino Carta ataca a “zelite” branca. Diogo Mainardi faz parte da “zelite” branca. Mino ataca meios como a Folha e a Veja. Diogo faz parte de meios como a Folha e a Veja. Mino alinha-se a Lula. Lula é a anta de Diogo. Mino não suporta tecnologias, aversão que o obriga até os dias de hoje a redigir todos os textos em sua máquina Olivetti Linea 88. Mainardi desfruta de posts no site da Veja, podcasts semanais e, como todo jornalismo comum, usa computadores para produzir os textos. Mas já confessou que assim que foi apresentado à internet, algum tempo atrás, a ironizou, afirmando que já existia o fax, e que portanto aquela tecnologia logo ficaria obsoleta. Nem só a diferença reina entre os dois.

As semelhanças também fortalecem o elo entre Mainardi e Mino. Mino Carta não acredita no Brasil, acha que não temos chance. Diogo Mainardi já foi acusado de torcer contra o progresso da terra brasilis. E respondeu: “não preciso torcer contra o crescimento do Brasil. O Brasil não precisa disso. Ele se desfazerá sozinho”.

Assim como Paulo Henrique Amorim, que atacou o portal iG assim que foi demitido, Mino Carta hoje desrespeita a Folha, o Estadão, o Jornal da Tarde e a Veja. Mino trabalhou em alguns desses meios. Mino Carta fundou alguns desses meios. Para um jornalista, o que era ruim ontem deve obrigatoriamente continuar ruim hoje. Não ensinaram essa regrinha a Paulo Henrique e a Mino Carta. Mas eles são bons em ironizar. Ironizam tanto que continuam fazendo parte e sendo contra a “zelite” branca. Eu prefiro só fazer parte. Ironizar a “zelite”, deixa que os petistas façam isso.

25.4.08

Rumo à capital mundial da pirataria

Brasil está entre os dez maiores produtores de artigos falsificados no planeta. E esse número está aumentando.

por Ton Torres

“Copiar, reproduzir e distribuir CDs, DVDs, softwares ou qualquer outro tipo de produto sem a conscientização dos autores e a autorização das empresas é uma prática nociva e ilegal, que resultará no fim da cultural artística musical, literária, científica e tecnológica. Pirataria é crime”.

Segundo o sociólogo Diogo Maciel, essa era a definição básica de pirataria no Brasil há 10 anos, por volta de 1997, quando a falsificação de produtos pulou de 3% do total de itens vendidos para 59%, índices que colocaram o país entre os dez maiores produtores de pirataria no planeta.

Hoje, no Brasil, segundo dados da Associação Internacional da Indústria Discográfica, de cada dez CDs vendidos, pelo menos a metade é falsificada. Somente em 2005, os brasileiros fizeram mais de 1 bilhão de downloads de músicas de maneira ilícita.

“A maneira ilegal com que os usuários baixam as músicas não é literalmente ilegal”, afirma o sociólogo. “Não somos produtores de tecnologia nem de softwares que realizem esse serviço. Entretanto, somos consumidores de informação que não possuem R$ 30 para gastar em apenas um CD. O único jeito é recorrer à pirataria cultural”.

O boom da pirataria moderna se deve - em grande - parte aos novos desenvolvimentos tecnológicos que permitem a cópia e reprodução infinita de um determinado produto. As novas tecnologias permitem que até mesmo o usuário comum realize de maneira simples, em um micro legal com um software legal, cópias de CDs, por exemplo.

“Estamos em um estágio onde fazer pirataria é comum, barato e, principalmente, é caseiro”, diz Diogo.

Já para a economista Iracema Rodriguez, o boom da pirataria brasileira se deve ao parâmetro de globalização econômica versus desigualdade social que o capitalismo se encontra.

“A pirataria cultural de hoje é uma resposta de um desejo de não centralização de poder nas mãos de um número cada vez menor de pessoas. Vivemos em um mundo que consome o tempo todo informação e cultura. A pirataria é uma forma de dizer não ao apartheid econômico que se instalou, e que impede muitos de terem acesso a essas expressões culturais”.

Atualmente, estima-se que as falsificações gerem, por ano, uma cifra em torno de US$ 450 bilhões no mundo, o equivalente a 9% de todo o comércio mundial. Somente no Brasil, segundo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a pirataria, o valor estimado da perde de arrecadação de impostos chega a R$ 10 bilhões por ano.

22.4.08

As várias faces do caso Isabella

por Fábio Santos

O caso Isabella tem tudo para se tornar um dos mais emblemáticos assuntos abordados pela mídia no Brasil. Logo chegaremos ao primeiro mês de cobertura e a todo instante nos deparamos com novos fatos, novas versões e mais debates.

A cada momento o assunto muda de ângulo e a mídia explora cada vírgula com exaustão. A mídia tem como dever informar sobre o assunto e traduzir os dados técnicos para os consumidores de informação, porém, apenas algumas empresas jornalísticas tentam fazer isso, já que a maioria explora a imagem da pobre menina morta.

É impressionante como programas de meio de tarde conseguem ficar horas a fio debruçados sobre um único tema: o caso Isabella.

Esta massificação provoca reações insanas em pessoas que não têm muito o que fazer da vida e ficam acampadas em frente a casa dos indiciados, colando cartazes e hostilizando o casal. É claro que a situação causa comoção em todos nós, mas a possibilidade de um julgamento precoce é sempre perigosa e, mesmo que a culpa seja atribuída aos dois, devemos deixar a justiça se encarregar do assunto.

No último domingo, a Rede Globo exibiu uma entrevista exclusiva com o casal Nardoni. Algumas emissoras esbravejaram pelo fato da emissora carioca ter sido escolhida pela família, mas o motivo da entrevista ter sido dada para a Globo é óbvio. Apesar de jogar insinuações ao telespectador, a Rede Globo foi uma das poucas que não usou de extremo sensacionalismo sobre a morte da menina Isabella.

Sobre a entrevista em si, confesso que fiquei chocado com tamanha calma e com as palavras utilizadas pelos dois. Se o casal for inocente, ficarei horrorizado com tamanha incompetência da polícia, porém, se forem realmente os culpados, perderei um pouco mais da confiança na raça humana, tamanho o cinismo que presenciei ao assistir tal entrevista. Cinismo dos acusados, dos advogados e do pai de Alexandre Nardoni, um dos responsáveis pelas estratégias de defesa do casal.

Por tais conflitos, acredito que este caso ainda vai perdurar por um bom tempo na mídia e vai marcar sim a história do jornalismo brasileiro do Século XXI e da cobertura jornalística mais pura, baseada em investigação, furo de reportagem e excelentes contatos.

Claro, sensacionalismo barato também...

Entrevista: André Felipe Czarnobai

Palavras de Cardoso
por Beatriz Caetana

Essa semana o Ton disse que estava sentindo falta dos meus textos no blog. Eu até cheguei a enviar um, mas estava ruim e pessoal demais. Portanto (adoro essa palavra) resolvi postar algo que me deu muito orgulho e trabalho de fazer. Uma das primeiras entrevista que fiz para o meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre Jornalismo Gonzo.

O entrevistado foi André Felipe Czarnobai, o “Cardoso”, o jornalista mais pesquisado quando o assunto é Jornalismo Gonzo ou Gonzo Journalism, é só escolher. Para vocês que podem nunca ter ouvido falar sobre o tema, vou dar um simples resumo.

Jornalismo Gonzo é um estilo jornalístico, onde o repórter é a informação principal. A reportagem é sempre escrita em primeira pessoa, tendo como enfoque o sentimento obtido ao longo da matéria pelo repórter. Esse estilo totalmente subjetivo e “osmótico” foi criado e divulgado pelo meu já morto, amigo americano e fã de armas Hunter Thompson.

Eis agora a entrevista, que teve como contexto o porquê desse estilo ser pouco divulgado no Brasil, principalmente no meio acadêmico.

Blog Seu Brasil: Desde quando você começou a estudar o Jornalismo Gonzo?

André Felipe Czarnobai: A verdade é que, desde muito cedo, pratiquei o Gonzojornalismo – mas sem saber que existia um nome para aquilo que eu fazia. Fui tomar conhecimento da sua existência por volta de 99, e passeia a estudá-lo de uma forma mais consistente a partir de 2000.

BSB: Houve alguma mudança de quando você começou a fazer sua pesquisa até os dia de hoje, no meio do Jornalismo Gonzo? Se houve alguma evolução nas pesquisas?

Czarnobai: Provavelmente, não. É um gênero muito difícil de ser definido (muito nem sequer acreditam que seja um gênero, de fato) e muito pouco estudado ou praticado na mídia em geral. Nos Estados Unidos e Europa ele é pouco mais praticado, mas quase nunca é classificado sob esse rótulo, o que torna ainda mais difícil o seu estudo. No mais, o número de referências de qualidade na web é escasso, e os poucos praticantes, em geral, apresentam uma produção de péssima qualidade – salvo raríssimas exceções, é lógico.

BSB: Você teve algum empecilho quando fazia sua pesquisa?

Czarnobai: Muitos! Não existe muito matéria sobre o tema na web ou em livros. Além do mais, o objetivo da minha monografia era demonstrar que o gonzjornalismo era um GÊNERO jornalístico que merecia diferenciação do NEW JOURNALISMO. Mas para fazer isso, eu não podia recorrer a uma bibliografia acadêmica sobre o gonzo, porque isso simplesmente não existia. Então tive que montar toda uma argumentação a partir da comparação entre o New Journalismo e a trajetória profissional (e pessoal, já que no gonzo essas duas idéias se mesclam) de Hunter S. Thompson, o pai do estilo. Não foi nada fácil e, quase quatro anos depois, pelo que escuto de outros estudantes que pretendem concluir seus cursos com trabalhos sobre o gonzo, parece que a situação continua igual.

BSB: Você acredita que há uma falta de interesse do estudante de Jornalismo sobre essa linguagem ou é da imprensa de não divulga-la?

Czarnobai: Acho que o principal problema a falta de TALENTO. O maior erro do meu trabalho, na verdade, foi não ter falado, de uma forma mais clara,que o grande lance por trás do gonzo jornalismo não é a captação participativa ou o uso da ironia, das técnicas ficcionais e da primeira pessoas na redação. É o TALENTO de quem pratica. Não dá pra exigir que TODO jornalista seja um bom GONZO JORNALISTA. A grande verdade é que só se faz gonzo jornalismo com um escritor extremamente talentoso e, sobretudo, CARISMÁTICO. Sem isso, nada de importante pode ser produzido. No mais o interessante dos estudantes e os espaços na mídia existem, sim. Mas, como eu disse, ainda falta TALENTO. E isso simplesmente não se pode ensinar.

BSB: Você acha que o gonzo é pouco divulgado no Brasil? Qual seria a principal razão?

Czarnobai: O ensino de jornalismo no Brasil é muito, muito ruim. Até dois ou três anos atrás, a esmagadora maioria dos professores e jornalistas em atividade não tinha a MENOR idéia do que é o gonzo jornalismo. E não estamos falando de uma novidade, de uma última tendência em termos de comunicação. Estamos falando de um estilo com pelo menos 40 anos de idade.

BSB: O gonzo é uma linguagem diferente e interessante, porque no meio acadêmico essa linguagem é pouco pesquisada? Pois você é uma das poucas referências no meio do Gonzo (acadêmico).

É pouco pesquisada porque é pouco conhecida. Mas houve um crescimento absurdo no número de trabalhos que abordam o gonzo jornalismo nos últimos cinco anos. Hoje em dia existem pelo menos umas 15 a 20 monografias sobre o tema apresentados como trabalhos de conclusão de curso em universidades brasileiras. O que eu sinto falta, entretanto, é de estudantes se aventurando por esse campo. Claro que isso contradiz um pouco aquilo que eu falei sobre o TALENTO necessário para saber se é capaz de fazer uma coisa se tu não tentar. Eu não vejo NINGUÈM tentar, e isso me deixa com ainda MENOS esperanças para o futuro do jornalismo brasileiro.

BSB: Será que a cultura que nós vivemos, de um jornalismo sem muito diferencial onde o lead é certinho, as reportagens (dependendo da editoria), não oferecem uma abertura de linguagem diferencial, aonde já existe um costume jornalístico por de trás das matérias. Talvez não seja esse o problema para a não utilização do jornalismo gonzo? Pela cultura jornalística em que vivemos?

Czarnobai: Sim, é claro que a cultura jornalística vigente tem um papel muito importante. Os problemas estão justamente no paradigma da objetividade jornalística e na resistência que se tem de aceitar textos em primeira pessoa como “jornalístico” por se dizer. Outro problema é o fato do Brasil não ser um país de leitores. Havendo poucos leitores, existe menos ainda leitores CRÌTICOS, capazes de realmente entender as sutilezas de um estilo como o gonzo, que se equilibra perigosamente na fronteira entre o jornalístico e o literário. De qualquer forma, nos últimos anos, no meio de todo o boom dos reality shows, o próprio jornalismo precisou aprender a se reinventar como entretenimento, e técnicas mais participativas de captação vêm sendo cada vez mais usadas. Curiosamente, hoje em dia è na televisão e cinema que vemos as aplicações mais notáveis da ideologia do gonzojornalismo.

OBS: “Ninguém queria pegar minha banca porque ninguém tinha a menor idéia do que eu tava falando”

No hospital também se ensina

por Marcos Cuba

Devido à uma parceria entre as Secretarias de Estado da Educação e Saúde, alunos da rede estadual de ensino terão aulas mesmo em uma cama de hospital. Trata-se do projeto Classes Hospitalares, que já está em funcionamento. Este ano o número de atendimento será ampliado, com a finalidade de quejovens em tratamento tenham a oportunidade de estudar.

O projeto abrange apenas quatro hospitais da capital, com uma média de atendimento de 1,5 mil estudantes entre 6 e 17 anos. Ao todo, são 21 professores capacitados para lecionar às crianças que lutam contra doençar como o câncer, anemia, renais, hepáticas, respiratórias, psiquiátricas, infecto-contagiosas, cardíacas e traumáticas.

O foco do projeto é fazer com que estes alunos não percam o vínculo com o ensino e prepara-los para a reintegração no ambiente escolar. A secretária do Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, afirma que este é um trabalho importante, de continuidade à educação e de melhoria à saúde.

O interessante seria se este projeto ganhasse afluentes no interior, afinal aqui também têm muitos alunos que acabam se acidentando e ficando internados, alguns ficam impossibilitados de freqüentar a escola, assim como na capital. É louvável a iniciativa, já que a educação de nosso país está cada vez mais capenga.

21.4.08

Entrevista: Wilson da Costa Bueno

O Gestor da Informação
por Polyana Gonzaga


Para o jornalista e professor de comunicação social Wilson da Costa Bueno, o profissional de comunicação atuante dentro das organizações começa a adquirir um novo perfil, o de gestor da informação.


Segundo Bueno, na era da informação o profissional de comunicação organizacional deve ter novos atributos. “ O assessor de imprensa deve ter conhecimento de aspectos discutidos na sociedade e a empresa precisa ter um posicionamento sobre vários assuntos.”


Wilson da Costa Bueno é jornalista e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e da Escola de Comunicação e Artes da USP, autor de vários livros na área de comunicação empresarial, entre outros. Atua há mais de vinte anos como assessor e consultor de empresas em Comunicação Empresarial.


Para Bueno, a figura do assessor de imprensa deve assumir novas posturas e descreve o perfil deste profissional e das perspectivas da área em uma sociedade impulsionada pelas novas tecnologias.

Blog Seu Brasil: O que muda dentro da empresa com as novas tecnologias ou com a falta dela? Qual o papel do assessor diante disso?

Wilson da Costa Bueno: Na verdade as organizações não estão ainda equipadas para essa realidade nova. Ainda estão muito lentas, muito pouco organizadas. Não é razoável que se tenha a possibilidade de organizar todas as informações e as organizações ainda não tenham preparado isso. É uma questão de cultura, de planejamento, de definições de prioridades. Pois a imprensa explora essas divergências e é preciso estar com as informações gerenciadas.

BSB: Hoje o assessor de imprensa também é chamado de gestor da informação. Que atributos deve ter este novo profissional?

Bueno: Primeiramente o assessor de imprensa precisa saber que as informações precisam ser organizadas, ele deve saber como organizar essas informações, tem que ter recurso para isso. Em uma organização como as informações não dependem somente do profissional de comunicação deveria existir um esforço para isso levando em conta quais aquelas que podem se tornar públicas ou não. Para que informação que interessa apenas a organização acabe vazando para a mídia. As empresas estão preocupadas com isso, porém elas não têm uma política de segurança de informação.

Hoje temos instrumentos para organizar a informação. É necessário ter conhecimento de aspectos discutidos na sociedade e a empresa precisa ter um posicionamento sobre vários assuntos, para que quando consultada tenha como responder com cautela e agilidade. A imprensa cobra isto e falta discutir isto dentro da corporação. Papel ocupado pelo assessor de imprensa. Isso exige organização de dados, informações, manter a coerência entre a direção da corporação durante uma possível consulta da imprensa. Na maioria das corporações ainda não existe uma cultura de organização dessas informações. O assessor de imprensa precisa ser informado sobre as ações da organização, seus planos, suas metas para que possa organizar a sua estratégia.

BSB: O perfil do assessor de imprensa mudou nas últimas décadas?

Bueno: Sim. As coisas estão caminhando para possíveis mudanças. Mas está um pouco mais lento do que deveria. O mercado cobra isso. O assessor continua fazendo um monte de tarefas e não consegue tempo para planejar. As pessoas têm pouco tempo para gerenciar a informação. Reconhecer que é importante e que a comunicação é estratégica. Mas isso ainda não tem acontecido. Hoje em dia é mais fácil liberar uma verba para um trabalho publicitário do que para organizar a imprensa.

BSB: Os empresários já reconhecem a comunicação como estratégica e vital dentro das organizações. Como o jornalista deve lidar com isso?

Bueno: É necessário ter uma cultura, uma estrutura e uma equipe para lidar com isso. É necessário se conhecer os públicos, se o assessor de imprensa conhece melhor o acionista, o cliente, o consumidor, a sociedade, evidentemente o seu contato com eles será melhor. Uma falha pode prejudicar os negócios, os objetivos que se querem atingir. Portanto não podem ser tratados com leviandade. Devem ser feitas mais profissionalmente e então se exige uma cultura nova, um novo posicionamento, um investimento, o perfil do profissional tem que mudar. Tem que ser uma pessoa capaz de gerenciamento.

É fundamental, por exemplo, que o assessor de imprensa leia jornal e saiba ler um jornal diferentemente do leitor comum, que ele esteja antenado no que acontece no mundo, principalmente no âmbito onde a organização que assessora é atuante.

Precisa entender o mercado, as oportunidades e precisa ter tempo para isso. Precisa ter uma percepção de mercado. Ele tem que ter tempo para isso, tem que ter capacitação para isso.

É necessário entender a imprensa, os tipos de imprensa, o jornalismo on-line, a televisão, o rádio, perceber que o jornal tem identidade própria. É necessário conhecer o jornalista, saber qual o posicionamento dele diante de algumas questões. Pois o fato de não conhecer o perfil do jornalista pode gerar uma informação contrária.

Se o assessor de imprensa não tem este tipo de inteligência estratégica vai sempre continuar fazendo um trabalho medíocre em um mundo mais complexo do que era antes.

BSB: Hoje existe uma necessidade dessa inteligência estratégica?

Bueno: Sim. Existe uma necessidade brutal disso. Isso significa que é preciso mudar a estrutura da área de comunicação. Saber realmente quais são os recursos disponíveis, organizar banco de dados, temos que ter essa inteligência de gerenciamento que já sabemos que se faz necessária. Porém não estamos formando gente para isso. Contratam assessores de imprensa que tem bons relacionamentos. O que não é ruim. O problema é que isso é pouco. Pois os relacionamentos vão embora e você não consegue ter bons relacionamentos em todo lugar.

Isso é muito pouco, pois é uma relação que a própria imprensa acaba rejeitando. Os relacionamentos têm que ser cada vez mais profissionais. E algumas organizações ainda acreditam apenas em bons relacionamentos. O que se deve destacar é que a organização não tem o controle da informação e nem nunca vai ter.

As mudanças foram muito aceleradas e algumas organizações não se deram conta disso ainda. O assessor de imprensa só pode tentar gerenciar melhor as informações se realmente fizer um trabalho transparente. Se o assessor circula apenas informação que interessa para ele e a organização pode perder o controle e a imprensa fazer leituras equivocadas. Não sabendo como agir em um possível acidente, alguém pode assumir isso na frente e não espelhar o que a organização realmente necessita.

* Wilson da Costa Bueno é professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP, jornalista, tem mestrado e doutorado em Comunicação (USP) e especialização em Comunicação Rural e em Jornalismo Científico. As áreas principais de atuação são: Comunicação Empresarial, com foco específico em Auditoria de imagem das organizações e Jornalismo Especializado (Jornalismo Científico, Ambiental , em Saúde e em Agribusiness).

18.4.08

O tupiniquim também é um idioma requisitado

por Anne Rodriguez
Correspondente Internacional
Santiago de Querétaro, México

Vim para estudar espanhol. Assumi o papel de professora particular de português para estrangeiros. A vida é mesmo cheia de surpresas! Nunca pensei em me aventurar na arte de dar aulas, nunca. E muito menos de português, e para gringos! Mas, como não resisto a um bom desafio, topei mais essa e cá estou no México, como professora particular de português. E também, aluna de espanhol – o objetivo inicial.


Dar aulas é realmente uma arte. Ao “tentar” preparar a aula do dia, me recordo dos meus professores preferidos e busco a inspiração neles para definir a melhor didática para atrair o meu aluno. Aí, eu vejo o quanto preciso de criatividade, boa vontade e dedicação. Como eu gostaria de ter respeitado mais os meus professores e não ter conversado tanto nas aulas e ter me dedicado mais a todos os exercícios que eles propunham…

Eu tinha medo de dar aulas. O motivo exato? Eu não sei. Por isso, a experiência como “professora” de português é um desafio e um aprendizado mútuo. Me surpreendo ao reconhecer que há pessoas dispostas a aprender o português aqui no México, em um contexto em que os idiomas mais exigidos são o inglês, o espanhol e o francês. Fico contente, ao mesmo tempo, em descobrir que há mexicanos que se dispõe a aprender a minha língua nativa. E, o mais interessante, é perceber que muitos deles acham o idioma “bonito”.

A situação contribuiu para eu refletir sobre diversos aspectos. Incluindo o - talvez - inexistente respeito que os brasileiros têm com o nosso idioma. Observa-se os inúmeros neologismos derivados de outras línguas, onde se destaca o inglês, que foram incorporados ao nosso vocabulário tupiniquim. Claro que a globalização colabora para a adoção desses estrangeirismos no dia-a-dia do país. Porém, há o fato de várias palavras, nomes e expressões serem incorporadas pelos brasileiros com a equivocada idéia de serem mais fashions ou cools.

Dentre as opiniões contra e a favor dos estrangeirismos, destaco a observação de Ernani Porto, “por trás da importação de palavras, há também um mecanismo de exclusão social, o analfabeto em inglês que, aliás, é a grande maioria dos brasileiros”. E se não bastasse o analfabeto em inglês, há a notória existência dos analfabetos do próprio português.

Ao tentar explicar a maneira correta de falar o português brasileiro, noto também o quanto a linguagem coloquial nos vicia a usar tão mal o nosso idioma, adotando um vocabulário limitado e pobre no dia-a-dia. A língua oficial de um país é o seu maior patrimônio histórico e cultural. Mas, infelizmente, para muitos brasileiros, o tupiniquim é apenas uma ferramenta de comunicação viável e necessária.

17.4.08

Eduardo Suplicy: unânime

por Hugo Luz

Eduardo Matarazzo Suplicy é um homem diferenciado. Já o vi recitando Racionais em um discurso no Senado Federal, já o vi passar o Dia dos Pais junto com o Supla e a turma do Pânico, já o vi indo ao Iraque em plena guerra, mesmo com todas as recomendações de que não fosse, já o vi apoiando a oposição contra o governo e até mesmo insistindo em disputar as prévias com Lula, para ver quem seria o candidato do PT à Presidência, em 2003. Esse ano não vi, mas fiquei sabendo que nosso Senador desfilou no Carnaval de São Paulo pela Vai-Vai. Mais uma faceta de Suplicy. Será?

O Samba Enredo da Vai-Vai, Acorda Brasil, falou de “com união, vencer a corrupção, passar a limpo este país”. No desfile estiveram pessoas como o maestro Silvio Baccarelli, Mano Brown, os Racionais, o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, Marcos Frota, entre outros. E entre eles, Suplicy.


Por ser Senador, ele só poderia participar do desfile “desde que houvesse anuência de toda a escola”, e ao que parece, houve. A Vai-Vai sagrou-se campeã do Carnaval 2008, mas isso é o que menos me importa. O que chama minha atenção é um homem de mais de 70 anos, vindo de uma classe aristocrática, dono de umas das maiores fortunas do país, ser praticamente uma unanimidade. Já vi tucanos e pemedebistas, seres avessos à política e anti-petistas, dizerem: No Suplicy, eu voto. Sinônimo de ética e honestidade, Eduardo consegue até mesmo deixar o Supla mais simpático.


Não duvido das coisas boas que a Marta tenha feito pela cidade de São Paulo, mas é inegável que sua vida política tem duas partes distintas. Antes e pós separação. Antes, ela era a mulher do Suplicy, uma pessoa que devia ser respeitada somente pelo fato de ter sido a escolhida do Senador. A mãe de seus filhos. Depois, passou a ser a mulher que trai Suplicy com o argentino, e isso pesou significamente em sua vida. Creio que ela deva agradecer todos os dias por este fato não ter enterrado sua carreira. E isso se deve, em parte, ao fato de que Suplicy manteve-se ao lado da ex-mulher, pelo menos politicamente, talvez em nome do partido.


Mas o fato é que cada vez mais considero Eduardo Matarazzo Suplicy um homem a se espelhar. Uma pessoa que, assim como muitos, sofreu, pagou, sofre e paga o preço de ser honesto num mundo onde a desonestidade e a ganância ganham (quase) sempre. Um homem que deve ter sido motivo de piada e de armações, por simplesmente, honrar o compromisso assumido com o povo, e só com ele. Um homem como poucos, que agrada estudiosos de Harvard e Sourbone, e consegue ser unanimidade em uma escola de samba. Que Suplicy agüente mais muitos e muitos anos nessa luta, e que surjam mais alguns dele.


Eu sou guerreiro de fé

Meu samba é no pé,

sou Vai-Vai

Sou brasileiro e tenho meu valor

Desperta gigante, é novo amanhecer

A levada do meu samba, vai te enlouquecer

(Meu Brasil)

Alô Brasil, o nosso povo quer mais Educação pra ser feliz!

Com união, vencer a corrupção

Passar a limpo este país!

Vamos gritar aos quatro cantos desta pátria mãe gentil

Pra sempre vou te amar, \\ ACORDA BRASIL\\ \ "